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Frentes de trabalho contra apatia do governo

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Na contramão do governo federal, as centrais sindicais querem dar uma guinada no cenário de recessão e crise que arrastou o trabalhador brasileiro para o desemprego e para a subocupação. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) são 13, 2 milhões de desempregados. Se considerar subocupados sobe para 28 milhões.

O documento intitulado Agenda Prioritária da Classe Trabalhadora que foi lançado em junho unitariamente por sete centrais sindicais traz 22 pontos sugerindo caminhos de curto e médio prazo, sobretudo com impacto no desemprego.

Matéria publicada nesta terça-feira (17) na Folha de S.Paulo mostra pessimismo entre consultores ouvidos pelo jornal: As projeções de serem criados 1 milhão de empregos para 2018 podem dar lugar a pífios 220 mil empregos formais. Longe de repor os cerca de 3 milhões de postos de trabalho perdidos com a crise.

O combate ao desemprego é um dos temas que se destaca entre as 22 propostas das centrais. As ações de curto e médio prazo visam a reversão do desemprego. A expectativa das entidades é que o tema ganhe força junto aos pré-candidatos às eleições de outubro.

Retomar obras públicas

Contratação de obras públicas e a retomada de obras de infraestrutura paralisadas são caminhos propostos pelos trabalhadores na Agenda, destacou Clemente Ganz em entrevista no final de junho à Agência Sindical. Ao lado da retomada das obras, o documento defende a criação de frentes de trabalho e “políticas de amparo aos desempregados” como aumento das parcelas do seguro-desemprego.

“O Congresso Nacional poderia dar um tratamento que melhorasse a contratação de obras públicas e também aprovar a liberação de recursos para a retomada de obras”. Clemente afirmou que existem cerca de 60 mil obras públicas paralisadas que poderiam aquecer o mercado de trabalho.

“Desde uma pequena ponte, ao conserto de uma estrada e em uma grande usina hidrelétrica. Destravar essas obras gera emprego rapidamente. É uma agenda para intervenção imediata com propostas de solução que podem ser implementadas no estado, na cidade e na União”, completou Clemente.

Movimento sindical mobilizado contra o desemprego

Na opinião do secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, o combate ao desemprego deve concentrar as atenções do movimento sindical. “Precisamos do máximo de esforço para erradicá-lo de nosso país. Esforço que deve ser de cada sindicato, federação, confederação e central sindical”, escreveu em artigo publicado nesta terça-feira (17) pelo portal Rádio Peão.

“Isso porque o desemprego é uma profunda chaga social. Ele produz violência, fome, o avanço de doenças, a evasão escolar, desagregação de comunidades, a delinquência. O desemprego é o ponto nevrálgico do subdesenvolvimento”, completou o dirigente da Força.

Divanilton Pereira, presidente em exercício da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), também vê como emergencial o combate ao desemprego dentro da agenda dos trabalhadores. Na opinião dele, as frentes de trabalho podem ajudar a recuperar o padrão de consumo das famílias, que sofrem com o desemprego e rebaixamento de salários.

Papel devastador da Lava Jato

O dirigente da CTB enfatizou o papel da Lava Jato no desmantelamento dos postos de trabalho no país. “Esse instrumento (a Lava Jato) inviabilizou a economia, detonou as grandes empresas de construção e infraestrutura, de mão de obra no Brasil e as que concorriam internacionalmente. Isso não é coincidência. A história nos dirá a quem serviu Sérgio Moro”, analisou Divanilton.

“O mundo inteiro pratica acordo de leniência quando você preserva o CNPJ da empresa e pune os corruptores. Aqui jogamos milhares no desemprego inviabilizando as empresas. Empresas europeias e americanas envolvidas em corrupção passaram por isso mas elas não desapareceram como no Brasil, onde tivemos desarticuladas cadeias de petróleo, gás e metalurgia pelo Brasil afora. A Lava Jato é uma grande contribuição à redução do Produto Interno Bruto (PIB) e esse número elevado de desempregados”.

Segundo Divanilton, a agenda prioritária é o instrumento de diálogo com trabalhadores empregados e desempregados e também servirá para influenciar nas eleições que “é a maior batalha que temos neste ano”, reiterou o dirigente. No dia 10 de agosto, as centrais sindicais unificadas realizam o Dia do Basta com protestos nacionais em defesa do emprego, da previdência social e contra o aumento abusivo do preço do gás de cozinha.

 

Portal Vermelho

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