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A UNIÃO DE FORÇAS, A SOLIDARIEDADE E A EMPATIA SÃO O CAMINHO!

DIZ AÍ ASSIS - SITE

Por Assis Melo – presidente Sindicato dos Metalúrgicos

Nos anima muito ver que, mesmo em um sistema que estimula a competição desenfreada e o individualismo, os valores da luta coletiva, da solidariedade e empatia ainda são relevantes e mobilizam as pessoas. É isto que tem nos ensinado a campanha de arrecadação de alimentos em prol dos trabalhadores e trabalhadoras que ainda não receberam as verbas rescisórias da Voges/Metalcorte.

Mas, também é preciso compreender o que está se passando com o Brasil, a economia e o mercado de trabalho. Quais fatores têm gerado o fechamento de indústrias e a diminuição dos empregos?

A economia está em recessão técnica desde o último trimestre e falta ao governo um programa para reduzir as altas taxas de desemprego. A participação dos salários no PIB está caindo, o mercado de trabalho está desregulamentado e, como se isso não bastasse, os direitos trabalhistas estão sob ataque. Em perspectiva, com as reformas aprovadas, os trabalhadores têm enfrentado a informalidade e terão muitas dificuldades até para se aposentar.

O nosso país amarga a terceira maior desindustrialização entre 30 países desde 1970. Uma pesquisa encomendada pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostra que participação do setor no PIB caiu de 21,4% a 12,6% em quase 50 anos.

O estudo mostra que, em 1980, o parque industrial brasileiro correspondia a 4,11% da indústria mundial. A China, atual gigante industrial, na época tinha uma participação de apenas 1,65% e ultrapassou o Brasil nos anos 1990, ao definir políticas industriais com metas definidas e a exigência de resultados concretos das empresas que receberam recursos do governo.

Aliás, todos os países desenvolvidos fizeram políticas industriais desde sempre. No Japão, desde a saída da Segunda Guerra, há um maior investimento em pesquisa e desenvolvimento, e as universidades públicas incentivaram o registro de patentes, o que ajudou no desenvolvimento do setor de microeletrônica.

O Brasil precisa enfrentar isso! Mas como? É necessário uma ampla união de forças. Recuperar o crescimento, a democracia e a soberania, através de um novo projeto nacional de desenvolvimento. Retomar o investimento na produção com alavancagem da indústria; e valorizar o mercado interno através da recuperação da renda e dos direitos dos trabalhadores. Vamos debater isso?