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Após 10 dias de luta, trabalhadores e trabalhadoras da Microinox são reintegrados

Avanço nas negociações é reflexo da unidade dos trabalhadores somado a confiança no seu Sindicato

A história dos trabalhadores e trabalhadoras da Microinox iniciou nos dias 06 e 07 de abril, quando ocorreu as 118 demissões na empresa e, segundo os próprios trabalhadores, a seguinte frase foi proferida: “se querem seus direitos, que procurem a Justiça”. Foi então que um grupo de desligados buscou ajuda no Sindicato dos Metalúrgicos.

O líder operacional, Edgar dos Reis, trabalhou por 20 anos na Microinox e é um dos demitidos. Ele, assim como os demais trabalhadores, questionou: “Querem que assine um acordo sem garantia nenhuma, sem homologar no Sindicato, sem acordo judicial, com parcelamento das rescisões. Que garantia temos que vamos receber?”

Os dias que se seguiram foram de tentativas de contato com os patrões. Sem retorno, o Sindicato dos Metalúrgicos, os trabalhadores e trabalhadoras, unidos, iniciaram a luta para não perder suas verbas rescisórias. As reivindicações começaram em frente à fábrica no dia 20 de abril. O grupo se dividiu, dias e noites, em um acampamento. Nesses dias, foram realizados pedágios solidários e muitos protestos.

“Nosso intuito aqui (na paralisação) é mostrar quantas pessoas foram demitidas e a maneira que foram desligadas: ou aceita o acordo ou vai buscar na Justiça. Isso é uma injustiça”, desabafou o ferramenteiro, Altur Camargo, que trabalhou 17 anos na Microinox.

Em apoio aos colegas e também reivindicando seus direitos, Genevar Signor, foi demitido em dezembro de 2016. O encarregado líder teve sua rescisão parcelada em 16 vezes. Recebeu 4. “Nunca mais pagaram. Renegociei em 2017, mas não recebi mais nada”, afirmou.

Signor contou que na ocasião de sua demissão, foram outros seis desligados e a situação é a mesma. “Nenhum de nós recebeu”.

Ocupação simbólica

Cansados de serem ignorados pelos patrões, o Sindicato e os trabalhadores e trabalhadoras da categoria metalúrgica fizeram uma ocupação simbólica da empresa. “Nós, metalúrgicos, não vamos abaixar a cabeça e dizer ‘sim, senhor’. Os trabalhadores e as trabalhadoras precisam, cada vez mais, lutar pelos seus direitos. Se a gente não luta, cada dia mais, tem alguém querendo aprontar com os trabalhadores. Nós vamos fazer o esforço que for necessário para que essa empresa continue funcionando. Esse gesto de ocupação da é para mostrar à sociedade caxiense, ao Rio Grande do Sul e o Brasil, que os trabalhadores da Microinox querem seu direito ao emprego. Mas, se isso não é possível, que o direito consagrado em Lei seja respeitado, se demitiu tem que pagar”, declarou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Assis Melo.

Eles entraram na Microinox na manhã do dia 27 de abril e permaneceram até a tarde do dia 28, quando o oficial de justiça entregou o documento de reintegração de posse, conseguido pela empresa na Justiça na madrugada anterior. Isso não fez com que o grupo desistisse e o acampamento voltou à frente da Microinox.

1ª Reunião

A primeira conquista do Sindicato e dos demitidos foi o agendamento de uma reunião do sindicato patronal (Simecs), para a tarde do dia 28 de abril, onde o proprietário da Microinox compareceu, assim como o Ministério Público e a Secretaria do Trabalho. A reunião ocorreu no próprio Simecs.

“Tanto tempo servindo eles e quando mais se precisa fazem isso. O que sinto não é ser demitido, é por não receber. Sei que é difícil, mas tenho esperança. Nós vemos o lado deles. Mas, eles não veem o nosso. Tenho esperança que nos paguem”, desabafou  Pedro Dorizete da Silva Miguel, que trabalhou por 21 anos na Microinox.

Após três horas de negociações, onde metalúrgicos e metalúrgicas se mobilizaram do lado de fora do sindicato patronal, em apoio ao grupo composto pela direção e advogados da entidade, assim como uma comissão dos demitidos, um avanço nas tratativas foi sinalizado. Porém, ainda seria necessário aguardar para o final do dia seguinte.

10 dias de luta, a vitória é da categoria metalúrgica

O resultado da reunião desta quarta-feira, 29 de abril, foi a reintegração dos trabalhadores e trabalhadoras. A Microinox vai aderir a suspensão de contratos por 30 dias, podendo ser prorrogado por mais 30. Essa suspensão é prevista por Medida Provisória e pela Convenção Coletiva Extraordinária Metalúrgica assinada na semana passada. Ela prevê que o pagamento dos trabalhadores, que se encaixarem na suspensão, seja feito parte pela empresa e parte pelo Governo Federal.

Alguns trabalhadores voltam às atividades. A empresa deve fazer o comunicado para os que retornam ao trabalho e para os que se enquadram na suspensão de contrato.

“O resultado foi positivo. Com a situação que estamos vivendo, onde muitas pessoas estão perdendo o emprego, temos emprego e salário por, pelo menos, 90 dias”, analisou Joselaine Velho, operadora de injetora, que participou da reunião.

Assis Melo ressaltou a unidade da categoria para obter o resultado positivo. “Podemos comemorar o resultado dessa batalha. Foi a unidade de todos que garantiu o resultado positivo. A possibilidade de contar com o emprego, neste momento, é importante. Voltem ao trabalho de cabeça erguida. Vocês têm dignidade. Voltem com a responsabilidade e qualificação que sempre tiveram e demonstraram. Vamos fazer um esforço para que a empresa continue funcionando e garantindo empregos. Nossa parte, vamos fazer. O Sindicato é o instrumento para defender o trabalhador e a trabalhadora. Enquanto estivermos no Sindicato, estaremos lutando para defender o direito de todos e todas”, declarou o presidente da entidade metalúrgica, aos trabalhadores, ao final da reunião.