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APOSTAR NO FUTURO

A notícia de que dois jovens foram mortos em operação da Brigada Militar não nos alegra.

Dois bandidos a menos? Na verdade, dois jovens a menos. Um de 14 anos e outro de 17. Tanta vida pela frente… Esses acontecimentos não dizem respeito ao fracasso deles ou da família, e sim da sociedade que oferece pouca alternativa pra juventude. Poderia aqui apresentar dados, ou leis que deveriam proteger esses jovens. Poderia falar também sobre a guerra contra as drogas, ou sobre o extermínio praticado pelo próprio Estado da juventude que mora na periferia, mas vou falar sobre o que representa ser jovem no Brasil de hoje.

Ninguém, em sã consciência, apoia o cometimento de crimes ou, no caso de adolescentes, atos infracionais. Alguns dizem que é tudo uma questão de escolha, afinal de contas, sabe-se que optando por este caminho, a chance de se dar mal existe. Mas será que existem alternativas de um futuro próspero para a juventude atualmente?

 

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Foto: Brigada Militar

 

São considerados jovens no país aqueles que têm de 15 até 29 anos de idade. E nessa fase, se ouvem diversas exigências de quesitos que devem ser cumpridos: têm que estudar, trabalhar, pensar no futuro… Tenho certeza que nenhum jovem vai discordar em ter direitos garantidos, mas para isso também ter deveres. Porém, para que seja possível cumprir todos os deveres, refletimos: Como valorizar a educação, concluindo o ensino médio, se cortam do orçamento, fecham e precarizam as escolas e desrespeitam nossos professores?

Como trabalhar, se não nos oportunizam o acesso a um emprego digno, que permita continuar estudando e priorize o aprendizado?

Como pensar no futuro, se em nossas famílias o que se vê é o desespero do desemprego, do trabalho degradante que dá direito ao acesso quase que somente à alimentação?

Como se divertir de forma saudável, se o que temos de mais facilitado é o álcool, as drogas e a violência?

Como participar das decisões sobre o nosso futuro, se quando nos pronunciamos sobre os problemas sociais, dizem que somos jovens demais para compreender sobre essas questões e que só queremos a desordem? Se isso tudo é exagero, olhemos então para a nossa cidade. Quais serviços e políticas públicas existem pensando nas oportunidades para a juventude?

Uma sociedade que ignora os anseios da juventude de hoje é a mesma sociedade que colhe violência amanhã. A construção do nosso futuro é agora. Nós, jovens, queremos um amanhã de oportunidades e paz pra todos. Acreditem e invistam em nós!

 

Por Andressa Campanher Marques

Estudante de Serviço Social na UCS e presidente da União da Juventude Socialista em Caxias do Sul