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As mulheres no lugar mais importante

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Por Eremi Melo*

 

O debate sobre a igualdade de gênero tem várias dimensões, teóricas e práticas. No movimento sindical, as mulheres fazem um esforço grande para conseguir participar de suas entidades – e nem sempre esse esforço é reconhecido pelo conjunto dos sindicalistas.

Na FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil), existe a compreensão da importância da participação feminina. É uma entidade que reconhece a necessidade de valorizar nossas pautas específicas e, principalmente, de criar condições para que as mulheres ocupem espaços importantes e estejam ombro a ombro com os homens na luta pela emancipação da classe trabalhadora.

Com esse entendimento, a Secretaria da Mulher da FITMETAL realiza o “1º Seminário da Mulher Metalúrgica – Unidas pela Formação e Transformação Sindical e Política”. A atividade acontece neste sábado (5/8), no Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul (RS), com a participação de dirigentes sindicais da região Sul. A ideia é replicar esse seminário em outras regiões do país.

Com as mudanças na sociedade e no mercado de trabalho, as mulheres ocupam cada vez mais postos na atividade produtiva, historicamente restrita aos homens. Exemplo disso é a participação feminina na categoria metalúrgica – que passou de 15,5% em 2006 para 19,14% em 2014.

Mais do que denunciar o problema, as entidades podem dar o exemplo e valorizar a representação feminina em suas direções. Foi o que fez a FITMETAL, em seu 2º Congresso, realizado em maio passado, ao eleger uma diretoria com 25% de mulheres – 14 líderes metalúrgicas num total de 55 membros. É o caso das novas secretárias de Finanças, Raimunda Leoni (RJ); de Comunicação, Andreia Diniz (MG); e de Juventude, Fabiana Souza (SC).

A presença feminina na FITMETAL não corresponde apenas a uma cota. É, sim, uma participação efetiva, de companheiras que ocupam cargos importantes, contribuindo para definir o rumo da entidade e construir a luta dos trabalhadores. Mas é preciso ir além e apostar na formação das mulheres sindicalistas, para que elas possam crescer e ocupar mais e melhor os espaços.

Em geral, as mulheres sindicalistas têm uma formação acadêmica maior do que a dos homens. No entanto, muitas se intimidam em dar opiniões e aparecer como lideranças. Essa é uma situação a ser superada. E ela será, se compreendermos por que isso acontece e fizermos investirmos na formação sindical.

As pautas específicas das mulheres são importantes porque a própria participação política feminina é limitada – mas também porque a nossa jornada vai muito além da jornada dos homens. Voltamos para casa mais rápido para encontrar e cuidar de nossos filhos, de nosso lar e, muitas vezes, do próprio marido. Por isso, a defesa de políticas públicas que liberem as mulheres é fundamental.

Apesar desse contexto, as mulheres não devem ficar restritas a uma pauta específica. Elas podem e devem opinar sobre os temas mais relevantes da conjuntura política e sindical. É só assim que vamos construir lideranças femininas capazes de ser inspiração na luta por um mundo de igualdade de gênero e de emancipação dos trabalhadores.

* Secretária da Mulher da FITMETAL (Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil) e diretora de Imprensa e Divulgação do Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul

Fonte: Fitmetal

 

 

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