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Assis Melo: “Nós não vamos entregar nossa carteira de trabalho aos nossos filhos como se fosse peça de museu”

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Na manhã desta quarta-feira (14), o Sindicato dos Metalúrgicos realizou mais duas assembleias, com os trabalhadores da Eaton e da Webber. Durante toda a semana, os diretores da entidade têm conversado com os trabalhadores, convocando para a assembleia geral do próximo sábado, 17 de dezembro. Será a oportunidade para reunir todas as categorias para discutir questões nacionais que afetam diretamente os trabalhadores, como a reforma da previdência e a retirada de direitos.

O presidente do Sindicato, Assis Melo, deu início à assembleia da Eaton falando sobre a PEC 55, conhecida como PEC da morte, que foi aprovada nesta terça-feira (13). “A PEC que foi aprovada ontem vai trazer mais dificuldades para os trabalhadores porque congela os gastos do governo por 20 anos e o salário mínimo está incluído nisso”. Assis também falou que a reforma da previdência vai acabar com a aposentadoria. “Com as regras que criaram, vai ser difícil o trabalhador chegar na idade mínima para a aposentadoria. E mais, se antes o cálculo do valor a receber era calculado sobre os últimos 36 meses de trabalho, agora o máximo que o trabalhador vai chegar a receber é 80% do valor integral. Diante disso, o nosso papel é reagir”, alertou.

A retirada de direitos dos trabalhadores também esteve na pauta das assembleias. “Querem acabar com o 13º, só será possível retirar o fundo de garantia quando a pessoa se aposentar, querem aumentar a jornada de trabalho, mas esses direitos são garantidos pela CLT e não será a nossa geração que vai considerar a retirada de direitos normal. Precisamos nos mobilizar. Em 2007 fomos exemplo em Caxias do Sul contra a Emenda 3. Desde lá, há a tentativa de implantar a terceirização, que nada mais é que precarizar o trabalho. Nós não vamos entregar nossa carteira de trabalho aos nossos filhos como se fosse peça de museu. Não vamos aceitar acabar com a aposentadoria e com os nossos direitos. E para nossa voz ser ouvida, precisamos nos unir. O próximo sábado é uma boa oportunidade para isso”, disse Assis Melo.

Saúde do Trabalhador

Durante as assembleias, também foram tratadas questões específicas de cada empresa. Na Eaton, o diretor sindical Antonio Carlos Cunha falou sobre casos de assédio moral. “Viemos discutindo há tempo a questão do assédio moral aqui, mas continua acontecendo. Vamos marcar uma reunião com a empresa para resolver isso porque não podemos admitir uma situação dessas”, afirmou.

Já na Webber, o presidente Assis Melo tratou da questão da saúde dos trabalhadores. “Vamos entrar em contato com o Ministério Público do Trabalho para vir até a fábrica porque as condições de trabalho aqui não estão adequadas, no verão o trabalhador morre de calor e no inverno morre de frio”, pontuou. Outro assunto debatido foi o recesso de fim de ano. A empresa havia prometido férias aos trabalhadores com uma turma saindo no dia 19 e outra no dia 26, mas mudou de ideia. Agora, os trabalhadores reivindicam um recesso de 26 de dezembro a 2 de janeiro, com a empresa arcando com metade do valor dos dias de pausa. A proposta será levada à empresa pelo Sindicato.

A assembleia geral contra a retirada dos direitos dos trabalhadores será no sábado, 17 de dezembro, a partir das 9h30, em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos.

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