PORTAL DOS TRABALHADORES E TRABALHADORAS DE CAXIAS DO SUL E REGIÃO

         

Atalho e retrocesso

"Ao fragilizar o trabalho, a elite financeira dá mais passos em direção ao capitalismo de exploração sem limites do século XIX""Ao fragilizar o trabalho, a elite financeira dá mais passos em direção ao capitalismo de exploração sem limites do século XIX"
A teoria econômica ensina que a recessão costuma ser passageira, é uma fase do ciclo econômico, por isso, requer soluções provisórias, seja para aguardar a retomada do crescimento, seja por estímulos para acelerar esse processo. Mas no Brasil hoje, aproveitam-se da situação de aperto para arrancar para sempre proteções básicas ao trabalho e à velhice.

A reforma trabalhista modifica mais de cem itens da CLT, não é, pois, modernização, mas subtração de direitos. O que a sociedade considerou patamar mínimo de condições do trabalho desaparecerá. Lá em 1943, quando foi criada a CLT, sabia-se que a negociação costumava não ser vantajosa ao trabalhador, sabidamente a parte mais fraca, por isso criou patamares máximos à exploração, não privilégios como a Fiergs estampou em sua fachada. O que se pretende hoje é retroceder, introduzir pioras nunca vistas há setenta anos.

Na previdência, trata-se de fazer o trabalhador não poder gozar a aposentadoria pela qual pagou por uma vida de trabalho, ou recebê-la por período breve e com vencimentos parcos.
Sociedades primitivas, como a de Esparta, jogavam recém-nascidos com defeito no penhasco, descartavam idosos não só por cultura e crenças, mas porque o nível de produtividade limitava as possibilidades sociais. Hoje, não. Em plena terceira ou quarta revolução tecnológica, definitivamente não.

Ilude-se o empresário que imagina um mar de rosas com isso. O caminho do desenvolvimento de sentido estratégico é de longa duração, pressupõe valorizar o trabalho, elevar a tecnologia, reduzir custos, inclusive impostos. O atalho pretendido, se eleva lucros no imediato, ceifa o mercado interno, motor do crescimento e da tenaz competição internacional.

Sem superar a herança escravista, o país comprometerá seu futuro como nação soberana e trará mais sofrimento a seus filhos.

David Fialkow Sobrinho – Economista

Seja o primeiro a comentar em "Atalho e retrocesso"

Deixe seu comentário

Seu email não será publicado.


*