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Brasil retrocede três posições no governo Bolsonaro e é a 12º economia do mundo

Com recuo no ranking mundial das maiores economias, o país deve ser ultrapassado por Coreia do Sul, Canadá e Rússia e cair para o 12º lugar

Em 2019, o Brasil ocupava a 9ª posição entre as maiores economias do mundo, de acordo com o valor do PIB em dólares. Chegará ao final deste ano no 12º lugar, de acordo com informações do FMI compilados pela Fundação Getúlio Vargas. Este é o saldo, até o momento, da política econômica neoliberal imposta pelo governo Bolsonaro.

A bem da verdade, é preciso dizer que o retrocesso da economia brasileira não é obra apenas do governo Bolsonaro. Teve início no golpe de 2016, que afastou a presidenta Dilma Rousseff e conduziu o corrupto Michel Temer, hoje conselheiro de Bolsonaro, à Presidência da República.

Estagnação e recessão

O presidente golpista deu início a um processo de restauração neoliberal que se traduziu na reforma da legislação trabalhista, ampliação da terceirização, privatizações e congelamento dos gastos públicos. O Brasil saiu de uma severa recessão nos anos 2015-2016 para cair no pântano da estagnação econômica com desempenhos medíocres em 2017, 2018 e 2019. Neste ano, com a pandemia, o PIB deve despencar mais de 5%.

Em 2011, sob o governo Dilma, o Brasil ocupou a 7ª posição entre as maiores economias do mundo, atrás dos EUA, China, Japão, Alemanha, Reino Unido e França. Sob Temer, caiu uma posição, ficando no oitavo lugar.

Assessorado pelo rentista Paulo Guedes, Jair Bolsonaro manteve a política fiscal restritiva dos golpistas e a ideologia enganosa do Estado mínimo, promoveu a reforma da Previdência, submeteu a política externa brasileira aos desígnios de Washington e reforçou o caráter entreguista do governo.

Em 2019, primeiro ano de seu desastrado governo, o país recuou um pouco mais, ficando em 9º lugar. Agora, com a contribuição da pandemia e o derretimento do real, o Brasil dá um salto para trás, perde três posições e deixar de se situar entre as 10 maiores economias do mundo, é agora a 12ª.

Depreciação cambial

É preciso ressalvar, porém, que a involução do país no ranking internacional reflete também o movimento errático das taxas de câmbio, que não se dá necessariamente no mesmo ritmo da produção. O real sofreu uma forte depreciação ao longo deste ano. Perdeu em torno de um terço do seu valor em relação ao dólar.

Por esta razão, segundo as projeções do FMI, o PIB brasileiro deve recuar 28,3% neste ano em relação a 2019, quando seu valor é convertido ao da moeda americana, caindo de US$ 1,8 trilhão para US$ 1,4 trilhão.

A recessão é forte, mas a queda real do PIB brasileiro será bem menor que a desvalorização do real e deve ficar em torno de 5%. Medida mais confiável para avaliar a riqueza relativa das nações é a chamada Paridade de Poder de Compra, que procura aferir o valor relativo das mercadorias nos diferentes países de forma mais realista. O dólar é sujeito a variações cambiais voláteis e artificiais.

Levando em conta a paridade do poder de compra, o Brasil ocupou no começo desta década a sétima posição no ranking de maiores economias do mundo, status que sustentou até o golpe de 2016. No ano seguinte, em 2017, o país escorregou para a oitava posição e, em 2019, já sob Bolsonaro, ocupava o décimo lugar entre as grandes economias do planeta.

Por este critério, a China já é a maior economia do mundo, com um PIB de US$ 23,4 trilhões em 2019, superando notavelmente os Estados Unidos, cujo PIB foi estimado em US$ 21,4 trilhões naquele ano. Em 2020 a diferença a favor da China certamente foi ampliada pois o gigante asiático será o único entre os países mais industrializados a concluir o ano com uma taxa positiva do PIB, devendo crescer 1,9% enquanto os EUA devem recuar quase 5%, conforme os cálculos do FMI.


CTB