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Campanha em combate a violência contra as mulheres é realizada em empresas metalúrgicas

A luta das mulheres por direitos é uma força geradora de grandes mudanças e conquistas ao longo da história. Sobretudo através das força e organização das mulheres operárias, que desde as grandes greves até o trabalho cotidiano no movimento sindical são protagonistas nos importantes avanços trabalhistas e sociais.

Ainda assim, há muitos pontos para se combater para alcançar uma sociedade livre de opressão e exploração. Nesse sentido, ganha força a campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. A iniciativa foi criada em 1991, por 23 feministas de diferentes países, reunidas pelo Centro de Liderança Global de Mulheres (CWGL), localizado nos EUA. Trata-se de uma mobilização educativa e de atitude, que luta pela erradicação desse tipo de violência e pela garantia dos Direitos Humanos das mulheres. 

Atualmente, acontece em 159 países. Internacionalmente, tem início no dia 25 de novembro (Dia Internacional da Não-Violência contra as Mulheres) e término no dia 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos). No Brasil, tem começo antecipado, em 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, para enfatizar a dupla discriminação sofrida pela mulher negra. 

O Sindicato dos Metalúrgicos integra essa campanha. Durante essa semana, atividades e ações nas portas de fábrica levam informações sobre direitos das mulheres e canais de denúncia em caso de violência. No último período, dirigentes sindicais tem recebido inúmeras denúncias em relação a assédio moral, pressão psicológica e violência contra as mulheres e tem encaminhado junto às empresas e órgãos competentes as ações necessárias para verificar os casos. 

Confira entrevista das dirigentes sindicais Eremi Melo e Fernanda Medino:

Debate necessário

O combate a violência contra as mulheres é um tema importante e necessário. Assim que a coordenadora do Departamento Feminino do Sindicato dos Metalúrgicos, Fernanda Medino, classifica o tema. “A violência contra mulher ainda é uma questão que deve ser discutida. O Brasil tem índices preocupantes de violência, que na pandemia tem crescido muito. Segundo pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, uma a cada quatro mulheres sofreu algum tipo de violência durante o último ano. Isso é muito grave. Ainda, vemos o crescimento da cultura de ódio, que ao invés de acolher e proteger as vítimas, joga a culpa na mulher. Para piorar, o presidente da república fomenta esse tipo de situação. Não podemos aceitar, precisamos de um basta!” relata.

Para toda a sociedade

Fernanda destaca ainda que a luta contra a violência deve ser preocupação de toda a sociedade. “Nós mulheres devemos ser as principais interessadas na mudança dessa realidade. Sem luta, não vai haver mudança e nós somos as protagonistas, estamos na linha de frente dessa luta. Mas isso não significa excluir os homens, já que defender a emancipação das mulheres é também lutar por uma sociedade livre de toda exploração. Nós, trabalhadores e trabalhadoras devemos estar unidos contra a violência.” 

Políticas públicas e proteção

Para Eremi Melo, as mulheres conquistaram avanços na legislação e proteção contra a violência doméstica, mas a violência no mundo do trabalho ainda é invisibilizada. “Com muita luta temos alguns avanços no que diz respeito a proteção contra a violência doméstica. A lei Maria da Penha é o maior exemplo disso. Mas faltam ainda políticas públicas que efetivem essas garantias de rede de proteção e uma educação que leve em consideração a conscientização de respeito às mulheres. No mundo do trabalho, o cenário é pior. Desde a reforma trabalhista, a CLT foi desmontada e muitos direitos retirados. Isso atinge diretamente as mulheres com mais força. Nas fábricas crescem os casos de assédio moral e sexual, principalmente dos chefes de setor. Nós seguimos unidas e fortes para não retroceder e defender nossos direitos.”

Eremi Melo é coordenadora do Departamento de Formação do Sindicato, secretária nacional de Formação da CTB e secretaria de mulheres da Fitmetal.