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Contra o golpe é preciso fortalecer unidade

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Organizar a resistência unitária em várias frentes é um dos caminhos apontados pelos trabalhadores e militantes sociais reunidos nesta terça no sindicato dos engenheiros, no centro de São Paulo. Ao mesmo tempo em que mobilizam o Dia Nacional de luta com greves e paralisações contra as reformas e medidas de Michel Temer no dia 11, o movimento faz um diagnóstico sobre o cenário de hegemonia da direita e intensificação da repressão e criminalização dos movimentos sociais.

Guilherme Boulos, do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), Adilson Araújo, presidente nacional da CTB e João Paulo Rodrigues, dirigente do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) fizeram avaliações semelhantes sobre a luta social na atual crise política: É preciso fortalecer a unidade do movimento social e estreitar o diálogo com os segmentos que ainda não perceberam a gravidade das medidas do governo Temer.

Para os dirigentes essa aproximação ampla com a classe trabalhadora e diversos segmentos sociais é um caminho para fortalecer as mobilizações contra as reformas trabalhista, previdenciária e a retirada de direitos sociais, como o que está previsto na atual Proposta de Emenda Constitucional 55, antiga PEC 241, que agora tramita no Senado Federal.

 

Plenárias populares

“Acumulamos forças quando vencemos etapas. E vencemos muitas delas. Sofremos uma derrota estratégica que mudou a correlação de forças”, avaliou Adilson. O presidente da CTB citou a estratégia do líder político chinês Mao Tsé Tung: “Ele sentiu que era necessário recompor o exército para combater o inimigo comum”.

Adilson sugeriu no encontro a realização de uma série de plenárias para fazer um balanço político. “Avaliar as conquistas, os erros e que aponte para a construção de um movimento unitário que possibilite a retomada da acumulação de forças para uma transição”.

Segundo o sindicalista, sem esse movimento “não fazemos uma luta política de massas”. Adilson complementou: “Precisamos ganhar essa classe trabalhadora, que ainda está atônita, que sofre dessa overdose midiática que descontrói todos os nossos feitos 24 horas por dia. É preciso visitar o trabalhador onde ele está, radicalizar na política, oxigenar o movimento sindical”, ressaltou.

 

Criminalização

Guilherme Boulos lembrou que a escalada da repressão é marca do atual cenário do golpe. “A invasão da escola Florestan Fernandes é cena da ditadura militar assim como a repressão aos secundaristas com invasões sem ordem judicial”, declarou.

O período da ditadura militar também foi lembrado por Boulos quando se referiu ao ataque aos direitos trabalhistas. Segundo ele, nem a ditadura ousou mexer na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Para Boulos, o governo Michel Temer é o mais perigoso para os trabalhadores porque não foi eleito e não visa reeleição. “Ele pode praticar as piores atrocidades e não vai pagar preço político por isso”, justificou.

 

Golpe contra trabalhadores

“O golpe é contra a classe trabalhadora e os mais humildes. Estamos diante de um cerco em que os três poderes estão harmonizados no propósito de retirar direitos”, reiterou Adilson. Ele lembrou das recentes decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que tem acatado ações que prejudicam os trabalhadores.

Nesta quarta-feira (9) julgamento no Supremo deve votar recurso sobre a terceirização para atividade-fim. “Parte da agenda do Eduardo Cunha, do golpe foi efetivada pelo STF. Se isso passar será a precarização total do trabalhador”, ressaltou Adilson. Antes da votação do recurso contestando os limites da terceirização, as centrais de trabalhadores se reúnem com o ministro do Supremo Edson Fachin.

 

Unidade das Frentes

“Unidade não significa ser a mesma coisa. Maturidade é lidar com as diferenças”, disse Boulos ao comentar a importância do papel das Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo contra o golpe. O dirigente do MTST é integrante desta última frente.

“Há uma unidade sólida entre as duas frentes. Se pegar as grandes mobilizações de resistência vai ver que elas foram feitas pelas duas frentes. Assim como vai acontecer no dia 11”, reafirmou. Segundo o dirigente, o MTST realizará bloqueio de rodovias no Dia Nacional de Lutas com Paralisações e Greves.

 

Portal Vermelho

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