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Crise da segurança é a ponta do iceberg do retrocesso Temer

Exército não põe fim à crise (Foto: Gabriel Lordelli/EFE)Exército não põe fim à crise (Foto: Gabriel Lordelli/EFE)

Desde que Michel Temer assumiu o governo foi instaurado o caos na segurança pública. Alexandre de Moraes, indicado pelos tucanos para ocupar a pasta da Justiça, revelou que a sua especialidade tão propagada por ter sido o secretário de Segurança do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, era na verdade um desastre.

Agora, o Palácio do Planalto está preocupado com os efeitos políticos da greve da polícia militar do Espírito do Santo, que somadas à crise nas penitenciárias riam um ambiente de verdadeiro caos.

Em maio do ano passado, em seu primeiro pronunciamento após a divulgação da conversa de seu então ministro Romero Jucá com o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que desnudou o plano do golpe – estancar a Lava Jato – o presidente, na época interino, disse durante a reunião com líderes de partidos da base que seu governo seria de diálogo e que “sabe o que fazer no governo” porque já “tratou com bandido”.

Cerca de nove meses depois, Temer não está preocupado em resolver o problema para alívio da população e dos policiais em greve. O que tira o sono do governo é o receio de que o modus operandi da paralisação capixaba, com as famílias barrando a saída dos policiais dos batalhões, seja adotado em outros Estados.

“Se esse modelo do Espírito Santo se espalhar, será um caos. Rio de Janeiro e São Paulo preocupam bastante”, disse uma fonte do Planalto. O modelo que a se refere é o acampamento e barricadas de familiares em frente aos batalhões, impedindo a saída aos trabalho, já que a Constituição proíbe a greve de militares. Sem PMs nas ruas, houve uma onda de saques, assaltos e assassinatos dos últimos dias na Grande Vitória e no interior do Espírito Santo. Um dos Estados que preocupa o Planalto, o Rio de Janeiro, antecipou-se a uma possível paralisação.

Essa é apenas a ponta do iceberg, já que a política de austeridade fiscal, com o congelamento do investimento públicos pelos próximos 20 anos, deve espalhar em efeito cascata o caos para áreas como saúde e educação. Baixos salários, sucateamento do serviço público, e desemprego serão os custos sociais dessa conta que não fecha com o arrocho aprovado pelo Congresso Nacional.

A situação chegou ao ponto de um tenente-coronel da Polícia Militar, responsável pelo Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciodes) onde funciona a central do 190 do Espírito Santo, dizer: “não vou aceitar ser submisso a um tirano como Paulo Hartung [governador] e ao secretário André Garcia”.

De acordo com informações do Gazeta Online, o oficial Carlos Alberto Foresti estava sob estresse por causa da demanda de trabalho dos últimos dias e havia alertado sobre o perigo de enviar policiais sozinhos para as ruas. Em um áudio que se espalhou pelo Whatsapp, o tenente-coronel desabafa e demonstra indignação contra o governo.

No momento da gravação ele acreditava que os policiais baleados corriam risco de morrer, mas eles foram atingidos no braço e na perna e estão fora de perigo.

“Eu estou aqui, desde quando começou esse movimento, trabalhando aqui, segurando as ondas, ajudando esse governo, emagreci mais de cinco quilos nesses últimos três dias, sacrificando a minha família. E agora, ao tomar conhecimento de que policiais foram baleados e podem morrer em Cariacica, os meus guerreiros, eu me revoltei, estou revoltado e não vou aceitar essa situação”, afirmou o tenente-coronel.

E segue: “Não se entreguem, não vamos perder essa guerra para o André Garcia, esse ditador e nem para esse governo que está fazendo isso com a gente. Tomem os quartéis, não aceitem mais ordem de ninguém a não ser que eles sentem para negociar e atendam os pedidos. Eu não quero mais pedir, eu não preciso de salário, eu varro a rua, eu vou ser gari, eu varro a rua de vocês, mas eu não vou aceitar ser submisso a um tirano como Paulo Hartung e ao secretário André Garcia”.

A postura do governo tem recebido critica da oposição e de aliados, que acusam Temer de “omissão” e “falta de compromisso”. Enquanto o ministro licenciado da Justiça, Alexandre de Moraes, se empenha para garantir a sua vaga no Supremo Tribunal Federal, após a indicação de Temer, os Estados imploram pelo apoio do governo federal.

Fonte: Portal Vermelho, por Dayane Santos

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