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Cuidar da Amazônia é questão de soberania

DIZ AÍ ASSIS - SITE

Por Assis Melo – Presidente Sindicato dos Metalúrgicos

Até mesmo o Papa Francisco se pronunciou nestes últimos dias sobre a tragédia das queimadas que estão ocorrendo na Amazônia.

“Estamos preocupados com os grandes incêndios que se desenvolveram na Amazônia. Esse pulmão florestal é vital para o nosso planeta”, disse Francisco. Em sua encíclica “Laudato si”, de maio de 2015, o papa apresentou um texto com forte tom social sobre a ecologia, em que denunciou a exploração da floresta amazônica por “enormes interesses econômicos”. Na ocasião, ele criticou “a forte pressão de grandes interesses econômicos que cobiçam o petróleo, o gás, a madeira, o ouro, as monoculturas agroindustriais”.

O presidente Bolsonaro, ao invés de ter uma atitude responsável, como se exigiria de um presidente da República, segue com sua conduta irresponsável, como fez nos casos das perseguições no Ibama e no Inpe. Tal postura expôs o Brasil ao mundo, e tem provocado reações generalizadas por parte de chefes de estado do mundo inteiro.

Ao agir à margem do bom senso, Bolsonaro deu uma espécie de carta branca aos incendiários e pôs freio nos mecanismos criados ao longo do tempo para agir na proteção do meio ambiente. E mais: expôs o país e o tornou vulnerável num tema extremamente sensível na arena internacional.

A falta de sobriedade das falas do presidente fazem dele uma figura execrada no debate internacional sobre o assunto. Consequência: a economia do país, já combalida, se vê sob ameaças de retaliações, sobretudo o setor mais pujante — o de commodities, da agricultura e pecuária.

A reunião dos ricos, o G7 (Estados Unidos, França, Reino Unido, Alemanha, Japão, Itália e Canadá), fez de conta que o Brasil não tem presidente. O assunto ganhou destaque a partir da ênfase que lhe deu o anfitrião da reunião, o presidente francês Emmanuel Macron.

O governo do Brasil, pelo papel relevante do país na geopolítica e na configuração dos intercâmbios econômicos, deveria prezar a sua soberania e se dar ao respeito. Ao se comportar de maneira irresponsável, abriu um flanco importante para o ressurgimento das surradas teses de soberania limitada e internacionalização da Amazônia.

Teses que hoje como no passado devem ser rechaçadas. É mais um motivo para reforçar a ideia de que o Brasil precisa reunir todas as forças na defesa dos seus interesses, o que começa pela democracia e a soberania nacional.

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