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Custo da cesta básica em Caxias do Sul aumenta 12,17% em 2021

A cada mês as contas das famílias caxienses ficam mais apertadas. É o que demonstram os estudos levantados pelo Instituto de Pesquisa Aplicada da Universidade de Caxias do Sul (Ipes-UCS) em relação ao custo dos produtos da cesta básica em Caxias do Sul. Para todo o período de janeiro a dezembro, o aumento no custo dos produtos subiu 12,17% em comparação com o ano anterior.

Segundo a pesquisa realizada com base no mês de dezembro de 2021, o custo da Cesta Básica observado na cidade de Caxias do Sul passou para R$ 1.109,89. Esse valor corresponde a cerca de 91% do salário mínimo de R$ 1.212,00 reajustado no final do ano. Ou seja, uma família que sobrevive apenas com um salário mínimo precisa escolher entre se alimentar ou pagar o aluguel, a luz ou água.

Sem aumento real, salário mínimo alimenta a desigualdade

Apesar do reajuste no final de 2021, o salário mínimo brasileiro ocupa apenas a 15ª posição na América Latina, ficando atrás de países como Paraguai, Honduras, Panamá, Argentina e Guatemala. O governo propôs pagar ainda menos, apresentando em discursos e documentos o valor de R$ 1.169. Mas a disparada da inflação, que fechou o ano em 10,06%, obrigou o Ministério da Economia a aumentar o valor.

Com o poder de compra deteriorado pela inflação e mau desempenho da equipe econômica chefiada pelo ministro Paulo Guedes, as desigualdades disparam. Segundo estudos da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pessan), quase 20 milhões de brasileiros afirmam que passam períodos de 24 horas sem ter o que comer. Cerca de metade da população – 116,8 milhões de pessoas – sofre atualmente de algum tipo de insegurança alimentar.

O aumento dos preços não é novidade para as famílias trabalhadoras. “Tá cada dia mais difícil virar as contas do mês. A gente vai no mercado e toma um susto quando passa os produtos do carrinho. A gente ainda consegue se virar, porque temos ainda trabalho né, e ainda quem trabalha em metalúrgica ganha um fôlego do salário-base. Mas não é fácil” relata Anilson Osório, trabalhador metalúrgico da Dambroz.

Tendência de maior arrocho em 2022

A elevação verificada nos preços da cesta básica é devido à alta nos preços dos produtos de alimentação em especial. Com a estiagem que atinge o sul do país e as enchentes no sudeste e nordeste, a tendência é de alta nos preços das frutas, verduras e grãos, pressionando ainda mais os valores dos alimentos.

Outro ponto é a alta do dólar aliada as regras do “mercado” internacional que dá o ritmo da política econômica do governo Bolsonaro. Os commodities seguem com tendência de alta, já que a política não privilegia produtos industrializados com maior valor agregado e busca atender a oferta de gêneros alimentícios para países estrangeiros seguindo os preços determinados pela procura internacional. Ou seja, hoje o Brasil exporta alimentos para o mundo, enquanto os trabalhadores brasileiros tem dificuldades de colocar comida na mesa.