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Desemprego: Revisão de dados do Governo revelam queda abrupta na geração de empregos em 2020

O choque recessivo de 2020 agravou os problemas econômicos em todo o país. Diversos especialistas da área da economia, movimento sindical e lideranças sociais e políticas alertavam e defendiam programas efetivos de combate a crise, a partir da intervenção de políticas de estado na economia para frear o desemprego, a inflação e a fome que dispara no país.

Na contramão disso, a cúpula do governo federal, a partir do Ministério da Economia seguiam a agenda neoliberal de venda do patrimônio brasileiro e de afrouxamento dos direitos trabalhistas. Comemoravam ainda, desempenho positivo na geração de empregos no Brasil, amplamente divulgado na tentativa de diminuir a repercussão dos escândalos em relação ao combate ao Covid-19, má-condução no governo, crise entre os poderes de Estado e corrupção.

Agora, os dados divulgados após revisão feita nos resultados do novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho, apontam o que os brasileiros e brasileiras sentem em seu cotidiano. O acréscimo de postos de trabalho formais no ano passado foi de 142.690 para 75.883. Uma redução de 46,8% aos índices anunciados no começo de 2021. Com as revisões, o número de contratações subiu 1,8%, para 15.361.234. As demissões aumentaram 2,2%, para 15.437.117. Ou seja, ao contrário do que representantes do governo comemoravam, a geração de emprego no Brasil não acompanha o alto índice de desemprego, informalidade e rotatividade de trabalho.

As mudanças metodológicas adotadas pelo governo em 2020, ao divulgar o Caged, tiveram impacto nos resultados e, segundo observadores, impedem a comparação com a série histórica anterior. Além de informações dos empregados, o governo passou a usar dados do eSocial e do empregadorWeb – incluindo, portanto, vínculos temporários. Ou seja, o governo busca artifícios para esconder a grave crise enfrentada pelos brasileiros e os altos índices de desemprego que afetam diretamente o desempenho econômico e social do país.

Segundo o Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul, em Caxias do Sul, não houve ajuste expressivo. Neste município houve 56.181 admissões e 60.513 desligamentos com saldo negativo de 4.432 postos de trabalho. O Obstrab destaca ainda que é natural acontecer ajustes nos dados após um ano corrido, porém a magnitude da diferença questiona a precisão das informações reportadas pelo Caged.