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Em audiência solicitada pelo Sindicato dos Metalúrgicos, Marcopolo se compromete a não demitir até dia 14

Na tarde desta segunda-feira, 31 de agosto, o Sindicato dos Metalúrgicos e a Marcopolo iniciaram o debate na Justiça do Trabalho sobre a série de demissões que começaram no dia 20 de agosto. A entidade metalúrgica lançou propostas para restabelecer os empregos sem possibilidade de demissão até janeiro, para os que tivessem interesse no retorno, e extensão do plano de saúde e cesta básica aos que não quiserem retornar à empresa.

Essas tratativas seguem em aberto para negociações nos próximos dias.

Dois pontos da questão dos demitidos não ficaram claros na audiência. Um deles foi o número de demissões. A empresa não revelou o total. Já outro ponto questionado pelo advogado da entidade dos metalúrgicos, Claudio Libardi Junior, foi a econômica, já que de acordo com a Convenção Coletiva Extraordinária, elaborada para o período de pandemia pelo Comitê de Crise, há uma previsão de indenização para os trabalhadores e trabalhadoras demitidos em período de suspensão de contrato ou redução de jornada, justamente com o objetivo de proteger empregos.

“Esse é o caso da grande maioria dos desligados da Marcopolo. Então, essas demissões não resultam em ganho econômico para a empresa”, afirmou Libardi.

O Comitê de Crise foi formado em março pelo pelo Sindicato dos Metalúrgicos, Simecs e Secretaria do Trabalho e Emprego.

Uma pausa nas demissões para buscar alternativas

Marcopolo aceita suspensão de demissões por 15 dias após solicitação do presidente Assis Melo.

“A pausa nas demissões é para que a gente possa buscar alternativas. Me parece muito confortável para a empresa, ela demite, não se compromete, não pressiona governo. O trabalhador que teve sua jornada reduzida se submeteu a ter 18 meses para compensar essas horas. Na Convenção Extraordinária que criamos, o trabalhador fez de tudo para manter seu emprego. Agora, simplificam um problema que precisa ser olhado mais longe. Gostaríamos de continuar dialogando e que por um período de 15 dias não houvesse demissões, para podermos tratar das demissões e encontrar outra solução”, reivindicou Assis Melo.

Um pacto pelo emprego

O presidente do Sindicato salientou sua preocupação com o desemprego pós pandemia.

“Devemos buscar junto ao governo estadual, municipal e federal mecanismos para superar a pandemia do desemprego. Aqui nós fazemos um apelo porque a crise não será superada com o desemprego. Nós precisamos buscar alternativas, constituir um pacto pelo emprego. É preciso sairmos do velho normal que é deu crise-desemprega, deu retração econômica-desemprega, para ver que tipo de país e sociedade nós queremos. Parece utópico, mas as utopias fazem parte do processo de onde buscar saídas para que a sociedade não sofra tanto nas dificuldades. Que momento é esse que estamos caminhando, ou o trabalhador morre pelo vírus ou morre por falta de condições de sobreviver”, constatou o presidente.