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Empresas metalúrgicas registram recorde de lucros enquanto trabalhadores enfrentam arrocho salarial histórico

A falta de medidas eficazes de enfrentamento aos efeitos da pandemia vem alastrando inúmeros problemas em nosso país. Junto a perda de milhares de vidas, o atraso na vacinação acentua os impactos sociais e econômicos que atingem principalmente a classe trabalhadora. Os principais efeitos sentidos pelos trabalhadores e trabalhadoras estão no crescimento da inflação, nos altos índices de desemprego e informalidade, além do constante ataque aos direitos sociais. Enquanto isso, as grandes empresas metalúrgicas da região registram recorde de lucros e faturamento a partir do arrocho salarial da categoria.

Não é por menos, já que a produção nas empresas de Caxias do Sul e região continuou mesmo com os altos índices de transmissão de Covid-19 e com o colapso no sistema de saúde. Dados divulgados pela Câmara de Indústria e Comércio conferem desempenho positivo no setor industrial de Caxias do Sul e região. O cálculo do período acumulado no primeiro semestre de 2021 apontam alta de 17,20% na indústria. Apenas o Grupo Randon faturou receita líquida de R$1,9 bilhão nos primeiros 4 meses deste ano. Além disso, às custas dos riscos de contaminação do vírus entre os trabalhadores e trabalhadoras, os diferentes aglomerados empresariais também anunciam toda a semana a aquisição de novas sucursais e investimentos milionários em seu capital. Tal cenário de crescimento poderia ser um estímulo à retomada da economia, do emprego e do desenvolvimento regional, mas o empresariado insiste na receita da desvalorização do trabalho e da superexploração para preservar seu balanço positivo e concentração de renda, gerando impacto negativo em outros setores da economia.

Com o grande arrocho salarial enfrentado pela categoria metalúrgica, o cálculo para retomada da economia local e a geração de empregos não fecha. Isso porque a capacidade de compra dos metalúrgicos e metalúrgicas representa um grande impulso em diversos setores. Quando o trabalho não é valorizado e os salários não estão condizentes com a sua capacidade produtiva da qualificada mão-de-obra metalúrgica, o espiral de recessão econômica se torna cada vez maior, prejudicando não só a condição de vida do trabalhador, mas também os pequenos e médios comerciantes, lojistas e até mesmo médias empresas de serviços. Ou seja, além da vacinação para a população, a saída para reaquecer a economia está no aumento do poder de consumo dos cerca de 50 mil metalúrgicos e metalúrgicas e suas famílias, atingindo mais de 150 mil pessoas. 

Além do efeito direto na economia, a defasagem nos salários atinge a condição de vida da categoria. Entre os principais pontos que vem prejudicando os salários está a alta contínua nos preços dos produtos da cesta básica. Segundo estudos do Instituto de Pesquisas Econômicas e Sociais da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a cesta básica chega a R$ 1.014,47, onde dos 47 produtos que compõem a cesta, 25 aumentaram de preço. Outro grande peso no salário está nos preços do aluguel, onde o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), base para o cálculo de reajuste, chega a aumento de quase 33%.

Diante desse cenário, o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e região segue mobilizado na Campanha Salarial de 2021 para enfrentar as adversidades. Com o tema “Para economia Andar. Vacina e aumento já” a entidade sindical está cotidianamente nas fábricas informando os trabalhadores e trabalhadoras e já iniciou as negociações com o sindicato patronal. O principal objetivo é lutar pela garantia de reajuste salarial com aumento real para reaquecimento da economia e valorização do trabalho.