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Fechamento da Ford reflete a necessidade de um novo projeto de desenvolvimento e a valorização dos trabalhadores

A empresa norte-americana Ford anunciou nesta segunda-feira (11/01) o encerramento de suas atividades no Brasil. A decisão causou repercussão nacional e demonstra o descrédito que o país enfrenta em relação à economia e com a indústria nacional, além da falta de compromisso que as grandes empresas estrangeiras têm com o desenvolvimento do país.

A produção será encerrada em três fábricas, em Camaçari (BA), Taubaté (SP) e Horizonte (CE), causando a demissão direta de 5 mil trabalhadores, além do impacto em toda a cadeia produtiva do setor, onde o número de trabalhadores colocados no cenário de desemprego pode chegar a 15 mil.

Em declaração, a direção da Ford culpou o ambiente econômico desfavorável do país e a pressão causada pela pandemia. Não se manifestou, porém, sobre a guerra fiscal a qual foi pivô, onde recebeu entre 1999 a 2020, 20 bilhões de reais na forma de renúncia fiscal. Na prática, a decisão da montadora reflete o prejuízo que o neoliberalismo causa ao país. Sem proteção social e política industrial, a indústria brasileira fica refém dos grandes grupos econômicos internacionais, que buscam no Brasil a precarização do trabalho e exploração sem medidas dos recursos naturais.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e região se solidariza com os trabalhadores da Ford e suas famílias e declara o seu apoio as ações das entidades sindicais. O Sindicato alerta a necessidade de retomar o desenvolvimento, a partir da valorização do trabalho.

O vice-presidente do Sindicato, Paulo Andrade, afirma que é preciso uma grande mobilização em defesa do emprego e da renda, a partir da valorização dos trabalhadores. “Não podemos admitir a falta de perspectiva econômica e a desindustrialização em massa que atinge nosso país. Muito menos assistir uma empresa estrangeira condenar milhares de famílias ao desemprego em plena pandemia sem ser responsabilizada. É urgente um debate em relação a um novo projeto nacional de desenvolvimento, que gere empregos, valorize os salários e garanta dignidade a quem trabalha. É das mãos dos trabalhadores que saí a riqueza deste país. Diante disso, a saída para a atual crise passa pelo papel do Estado em estimular a economia, garantir a vacina e proteger os trabalhadores” declara.

Nos próximos dias, estão previstas intensas movimentações de centrais sindicais para ações em frente ao desemprego e a apatia do Governo Federal. Conclamam uma ampla mobilização com os segmentos sociais preocupados com os rumos do país. Em documento assinado por oito centrais, as entidades organizam agenda de ações unitárias em defesa do emprego, do auxílio emergencial e de vacinas para todos. Também, em nota, Federação Interestadual de Metalúrgicos e Metalúrgicas do Brasil – FITMETAL e a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil – CTB declararam apoio aos trabalhadores e às trabalhadoras da Ford e do complexo automotivo, bem como aos sindicatos com bases da Ford. O presidente da CTB, Adilson Araújo, anunciou uma forte articulação de sindicalistas no Congresso Nacional para estabelecer diálogo com as montadoras e encontrar saídas para que essa crise não afete ainda outros setores.