| CLIMA DE REDEMOCRATIZAÇÃO
Em setembro de 1947, foi promulgada
a nova Constituição, que, entre
outras coisas, proclamava a liberdade da palavra,
imprensa, reunião, proibia a discriminação
racial e religiosa, declarava o direito de livre
formação de sindicato e de conclusão
de contratos coletivos, reconhecia o direito de
greve (Dutra tinha proibido as greves), previa
a elaboração da legislação
trabalhista, revisão regular do salário
mínimo. Mas na prática só
foi cumprida nos pontos que interessava à
burguesia e aos patrões.
Com o abrandamento do controle
sobre os sindicatos e a libertação
dos militantes comunistas presos, o PC retomou
a liderança do movimento sindical no país.
Em 1945, segundo Bruno Segalla,
os sindicatos caxienses, especialmente o dos Metalúrgicos,
restringiam-se ao assistencialismo e a problemas
de ordem salarial. “Os sindicatos eram considerados
estranhos à sociedade, os líderes
estavam desvinculados da sociedade. Os mesmos
eram considerados como pelegos da ditadura e cevados
pelo governo. Os dirigentes sindicais que tinham
uma visão mais ampla da sociedade eram
raros. A capacidade intelectual destes era muito
reduzida, com algumas exceções.
Dada a sua pouca cultura, faziam o jogo dos patrões.
Havia, até mesmo, casos de líderes
sindicais que convocavam as assembléias
e não compareciam as mesmas.” (Depoimento
prestado por Bruno Segalla à pesquisadora
Loraine Slomp Giron).
No Sindicato dos Metalúrgicos
de Caxias do Sul, em 9 de outubro de 1948, uma
Portaria Ministerial destitui o então presidente
Clodomiro Marques Baptista e nomeia uma junta
governativa para presidir o Sindicato. A junta
tem como presidente nomeado Nestor Ferreira Porto,
secretário Miguel Cormutti e tesoureiro
Euclides de Oliveira Reis.
A ata de posse da Junta Interventora
cita, pela primeira vez no sindicato, a presença
do padre Ângelo Tronca, assistente eclesiástico
do Círculo Operário Caxiense que
foi fundado no ano de 1936. A participação
de Tronca nos movimentos sociais foi marcada pela
oposição aos comunistas. |