| ERA GETÚLIO
- ANOS 50 Depois da intervenção
política no Sindicato dos Metalúrgicos
de Caxias, registra-se a eleição
de novembro de 1950 com inscrição
de duas chapas. As chapas não tinham cargos
definidos. Após a apuração
dos votos, os diretores eleitos escolhiam o presidente
por voto secreto, e este distribuía os
demais cargos. O presidente escolhido foi Etelvino
Zorzzi.
As atas da época relatam
que em 1952 aconteceu nova eleição,
sendo que, mais uma vez, apresentaram-se duas
chapas. No entanto, adversários da eleição
anterior, como Athaide Silva e Etelvino Zorzzi
– então presidente – constavam
nas duas chapas. Assim era difícil saber
quem era oposição. Desta vez, a
presidência ficou com Pedro Olavo Hoffmann.
Neste período percebe-se a participação
do PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), partido
pelo qual Hoffmann foi eleito vereador por três
gestões consecutivas. Em 1955, volta ao
cargo de presidente Etelvino Zorzzi, tendo como
secretário Bruno Segalla e tesoureiro,
Adão Nunes da Silva.
No mês de março
de 1957, os metalúrgicos elegem Bruno Segalla
para presidente, secretário, Armin Damian,
e tesoureiro, Hermenio Andrade Boeira. Consta
nos registros desta gestão que houve a
anexação da base territorial dos
trabalhadores metalúrgicos do município
de Garibaldi.
Segundo Adão Nunes da
Silva, tesoureiro na segunda gestão de
Etelvino Zorzzi e na primeira de Bruno Segalla,
os anos 50 foram uma época difícil
para a atuação dos sindicalistas
nas empresas. Ele conta que havia pouca adesão
ao sindicato porque os trabalhadores eram muito
visados. Ninguém queria ser associado,
pois os associados e principalmente os sindicalistas
eram marcados. Eram taxados como pessoas perigosas.
Na empresa, os colegas não deviam ter muito
contato com os sindicalistas. “Como se fossemos
foras da Lei.” As primeiras greves que aconteceram
em Caxias ocorreram nos anos de 1955 e 1956. E
mesmo com toda perseguição, havia
bastante participação dos trabalhadores.
Cerca de 80% a 90% da categoria participava das
greves, e a reivindicação era por
melhores salários. Depois dessas greves,
houve outras como a de 24 horas e a greve nacional.
No final dos anos 50, o sindicato
fez uma grande reivindicação em
Porto Alegre. O dissídio foi decidido na
Justiça, e a decisão foi de um aumento
real sobre o salário da época. Foi
uma grande vitória dos trabalhadores, a
qual não era esperada pelos empresários.
Com essa vitória, as pessoas passaram a
confiar mais no sindicato. Os trabalhadores vinham
para o sindicato espontaneamente. Na verdade,
houve uma corrida de associados. As pessoas não
tinham mais medo. A partir de então, foi
organizada uma grande campanha de associados.
Depois disso, as assembléias
eram enormes. “Naquela época o sindicato
era mais reivindicatório do que assistencialista.
Além do aumento do salário, lutava
contra a carestia. O Sindicato contava com renomados
advogados, como o grande combatente Percy Vargas
de Abreu e Lima e os excelentes profissionais
Júlio Costamilan e Ponzi”, recorda. |