| ANOS DE CHUMBO
- ORGANIZAÇÃO SINDICAL – 1960
/ 1964 Em 1960 realizou-se
o 3º Congresso Nacional dos Trabalhadores.
Nele apareceram as várias tendências
existentes no movimento sindical, que eram: os
vermelhos – ligados ao Partido Comunista
e à ala mais esquerda do PTB; os nacionalistas
? eram a maioria e lideraram o movimento sindical
até o golpe de 1964; os amarelos –
pelegos, ligados ao Ministério do Trabalho
e ao sindicalismo norte-americano (CIOSL-ORIT);
e os democráticos ou renovadores ? anticomunistas,
janistas, católicos. Queriam um sindicalismo
livre do Estado. Eram contra o imposto sindical,
alguns defendiam uma atuação sindical
a partir da base, da organização
nas fábricas e independente dos partidos.
No ano de 1961, o movimento sindical,
liderado por integrantes da esquerda do PTB e
do PC, conquistaram a CNTI (Confederação
Nacional dos Trabalhadores na Indústria),
apoiando João Goulart, o Jango, e Tancredo
Neves.
Em plena Guerra Fria, enquanto
o presidente Jânio Quadros homenageava Che
Guevara em Brasília, e Leonel Brizola,
então governador do Rio Grande do Sul,
recebia convite de Fidel Castro para visitar Cuba,
Caxias do Sul vivia um dos acontecimentos mais
violentos de sua história política.
Era noite de 15 de maio de 1961. A cidade sediava
uma conferência do líder comunista
Luiz Carlos Prestes, trazido a Caxias pelo líder
local Bruno Segalla.
A Brigada Militar estava preparada,
e para evitar problemas com os setores contrários
à vinda de Prestes, a conferência
foi realizada no Cine Central (hoje Bingo RJ).
Mas a igreja, que não escondia seu ódio
ao comunismo, dispensara das aulas todos os estudantes
das escolas católicas (Carmo, São
Carlos, Madre Imilda e São José)
a fim de realizarem uma passeata contra a presença
de Prestes. Os estudantes, incentivados pelos
sacerdotes e políticos contrários,
através do alto-falante da catedral, tentaram
invadir o Cine Central. A praça Rui Barbosa
foi palco de uma batalha campal de quatro horas
de duração. Estudantes e sacerdotes,
armados de pedras e paus, travaram uma violenta
guerra contra a Brigada Militar, que queria conter
os manifestantes. Prestes e lideranças
comunistas da cidade tiveram de sair pelos fundos
do prédio, e os demais enfrentaram pedras
e paus. O jornal Última Hora, de Porto
Alegre, noticiou em manchete de capa: Caxias:
Polícia contra igreja; e na página
central: Batalha Campal: Conferência de
Prestes gerou pancadaria.
Em 1963, o Sindicato dos Metalúrgicos
realiza nova eleição, e Segalla
é reeleito, juntamente com Armin Damian
e Alcides Zatera. Embora a repressão já
fosse ameaçadora e as greves proibidas,
os metalúrgicos realizaram uma das maiores
greves da história de Caxias do Sul. No
mês de julho daquele ano, 8 mil trabalhadores,
cerca de 95% da categoria, tomaram a Rua Sinimbu
para reivindicar melhores condições
de trabalho, melhores salários e ação
de parte do governo. Caxias parou durante dois
dias.
Joaquim Boeira Lemos, que participou
da greve, conta que foi muito difícil organizar
aquela manifestação. Houve muito
trabalho de orientação dos companheiros
dentro da fábrica, onde eram montados os
piquetes. Ele diz que mesmo com o reacionarismo
do governo federal, os grevistas tinham apoio
do então governador do Estado, Leonel Brizola.
Seu Joaquim conta que a greve
foi ordeira, mas sob vigília constante
da polícia. Ele diz: “Os dirigentes
souberam negociar com sabedoria. Não houve
nenhum incidente, e a categoria saiu vitoriosa
com a conquista de 80% de reajuste salarial na
data base e mais três vezes de 8%.” |