| UM EXEMPLO DE
SINDICALISMO Joaquim Boeira
Lemos, 80 anos, entrou no sindicato como suplente
de diretoria em 1955, na gestão de Bruno
Segalla. Tem orgulho de ter ajudado a organizar
uma das maiores greves que Caxias já viu,
a de 1963. “Saí de casa e levei 5
dias para voltar.” Teve seus direitos sindicais
cassados em 1964, junto com os demais integrantes
da diretoria do sindicato. Só conquistou
o direito de voltar ao sindicato em 1979. Trabalhador
da Eberle, em 1965 foi denunciado e acusado pelos
patrões de ser comunista, tendo sido preso
por isso. Depois, por cerca de um ano, de vez
em quando a polícia do exército
ia buscá-lo no serviço e tinha de
passar o dia no quartel. Ali era questionado para
que denunciasse os companheiros.
Joaquim conta: “Eles me
perguntavam porque eu lia os jornais do sindicato,
e queriam saber quem eram os ‘cabeças’
do sindicato. E mais, o que os meus amigos Segalla,
Henrique Ordovás, Percy Vargas e outros
faziam. O exército tratava muito mal os
trabalhadores. Cansei de ver companheiros serem
retirados do serviço e jogados dentro do
caminhão como se fossem bandidos. Eles
ameaçavam, batiam. Mas nunca entreguei
meus companheiros. Nós fazíamos
reuniões em Porto Alegre. Naquele tempo,
a viagem até a capital chegava a durar
até 5 horas. As estradas eram de chão
e, se tinha cerração, então,
era muito complicado.”
Outros destaques de seu Joaquim
foram as visitas de Luis Carlos Prestes a Caxias.
A primeira lotou a praça Rui Barbosa (hoje
Praça Dante Alighieri). “O Prestes
foi um político que sempre admirei, um
dos mais sábios da época”,
relembra. Já a segunda vinda de Prestes
foi conturbada. O encontro aconteceu no Cine Central,
e o prédio foi apredrejado pelos padres
e pelos alunos das escolas católicas. Prestes
teve de sair fugido pelos fundos, e os convidados
saíram pela frente debaixo de pedras.
Seu Joaquim foi 1º secretário
na gestão de Romeu Pieruccini em 82. Ficou
um tempo afastado da direção e voltou
em 1993. Hoje é responsável pelo
Departamento de Aposentados. |