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HISTÓRICO  l  DIRETORIA  l  SEDES

 
REPRESSÃO DO MOVIMENTO SINDICAL – 1964/1970

O golpe militar de 1º de abril de 1964 destroçou quase que completamente com o sindicalismo da época. Os militares simplesmente utilizaram os direitos autorizados por lei, como o de intervir, e cassaram toda a liderança sindical combativa. A primeira fase do golpe pegou o movimento sindical despreparado, desvinculado das grandes massas, ou seja, sem respaldo na base. Os militares aproveitarem-se da situação para reprimir, prender lideranças, extinguir organizações sindicais e intersindicais e, o que é pior, aplicar toda a legislação atrelada dos sindicatos ao Estado que, na prática, estava anteriormente sendo rompida pelas greves e pelos movimentos em geral. Aplicaram inclusive, e com rigor, a lei de greve, as intervenções em sindicatos e a cassação de lideranças combativas. Institucionalizaram a presença obrigatória do Ministério do Trabalho nas Assembléias, entre outras. Neste período, a organização sindical foi abalada na sua estrutura, na sua força, e esse foi um dos fatores decisivos para os militares aplicarem sua política de arrocho salarial, a mando do imperialismo norte-americano.

De 1964 a 1965, foram feitas 383 intervenções em sindicatos, 45 em federações e 4 em confederações. De 1965 até 1970, o governo federal interveio em 100 sindicatos e 4 federações. A lei de greve, apresentada por Ulisses Guimarães, ficou mais dura, chamada de “lei antigreve”.

Em relação ao Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias, consta o seguinte na ata de intervenção no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Caxias do Sul: “Às dezesseis (16) horas do dia nove (9) de abril de 1964, na sede do sindicato, sita à rua Pinheiro Machado, nº 1653, o Ministério da Guerra empossa o general Itacyr Rosa Cruz para interventor da entidade.” Com a autorização de administrar o sindicato, o interventor declara extinto os mandatos de toda a diretoria, de seus delegados e representantes junto a qualquer entidade, até findar o objetivo da intervenção.

Neste dia, o presidente Bruno Segalla, juntamente com Armin Damian, secretário, e Alcides Zatera, tesoureiro, e outros membros da diretoria, foram presos. Também receberam voz de prisão o advogado e funcionário do sindicato, Percy Vargas de Abreu e Lima, e outros como o médico Henrique Ordovás e o ex-sindicalista Júlio Pedro Furlan, amigos de Segalla.

Segalla e os demais diretores foram caluniados de desvio de dinheiro na entidade e de serem pessoas perigosas para o convívio social. Na época da intervenção militar, havia cerca de 3 mil associados ao sindicato. Na ata de 15 de abril de 64, o interventor dá posse à diretoria provisória, cujo presidente era Olice Alcides Guerra, secretário Heitor da Gama Silva e tesoureiro, Dionizio Guido Giazzon. O presidente interventor trabalhava na Eberle.

Em agosto de 1965, Guerra convocou eleições, mas depois de pedir autorização em audiência com o Ministro do Trabalho. Os candidatos tinham que fazer ficha no cartório a fim de verificar se estavam fichados como subversivos ou comunistas. Inscreveram-se três candidatos: Frigeri, Suzin e Conaq. Em 12 de outubro de 1965, Antônio Olívio Frigeri foi eleito presidente do sindicato por grande maioria de votos. “Mas eu precisava ter autorização do Ministério do Trabalho para dar a posse. Levei o resultado da eleição para Porto Alegre. O Frigeri estava fichado como subversivo. Então precisei me responsabilizar para poder empossá-lo. Ao chegar em Caxias, o exército local queria impugnar a eleição. Mas não deixei,” relata Guerra.

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