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CLANDESTINIDADE

Na década seguinte, diante da violenta repressão militar que arrasou o país, o movimento sindical teve uma atuação distinta. Os trabalhadores começaram a se reorganizar na clandestinidade. São organizados pequenos grupos nas fábricas, o início do novo sindicalismo, que partiu das bases.

Em meados de 1960, percebem-se, no fordismo, indícios de problemas, que podem ser resumidos em uma palavra: rigidez. Ela corria a produção, restringindo expansões da base fiscal para gastos públicos; nos compromissos do Estado, intensificando-se à medida que programas de assistência aumentavam sob pressão para manter a legitimidade; nos mercados; na alocação e nos contratos de trabalho.

O único instrumento de resposta flexível estava na política monetária, sendo que passou-se a imprimir moeda em qualquer quantidade necessária para manter a economia estável. Isso acabou por afundar a expansão do pós-guerra, visto que surge um elemento novo: a inflação. Assim, dentro dos planos de estratégias corporativas de sobrevivência frente à crise, inicia-se um processo que tem como característica a mudança tecnológica, a automação, a busca de novas linhas de produtos e nichos de mercado, a dispersão geográfica para zonas de controle do trabalho mais fácil, as funções e medidas para acelerar o tempo de giro de capital.
Mas, para completar o arrocho salarial, ainda era preciso acabar com a estabilidade no emprego. Assim, em 1966 é criado o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), acabando com a indenização por tempo de serviço, mola propulsora das demissões em massa, especialmente em véspera de aumentos, para contratações posteriores com salários reduzidos.

Em 1967, Antônio Olívio Frigeri é reeleito presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos.

Os militares tiveram como preocupação básica desmantelar a organização sindical. As repressões que se seguiram ao golpe deixaram o sindicalismo enfraquecido. Todas as tentativas de reorganização, devido ao violento empobrecimento da classe trabalhadora, foram duramente reprimidas. Em 1968, resistindo à ditadura, os trabalhadores organizaram históricas greves em Osasco-SP e Contagem-MG.

Para conter a crescente insatisfação do povo, que refletia no movimento sindical, baixa o Ato Institucional nº 5 – o AI 5 – que possibilitou uma nova devassa no movimento operário.

Em Caxias do Sul, os metalúrgicos obtiveram uma grande conquista. A alteração de um artigo da CLT, pelo Ministério do Trabalho, em 1968, deu certo percentual de insalubridade aos operários, depois de uma belíssima defesa da tese apresentada pelo sindicato no Congresso Nacional dos Metalúrgicos, na Guanabara-RJ, em 1966. Uma conquista pioneira no país, que beneficiou milhares de trabalhadores. As empresas tinham atrasado em dois anos o pagamento deste percentual, então o sindicato entrou na Justiça e ganhou o processo ? “uma das primeiras grandes vitórias do sindicato em processo coletivo de trabalho”, conta Júlio Costamilan, advogado na época e que ficou no sindicato até julho de 2003.
Mas o arrocho salarial violento leva ao sentimento de mobilização e luta da massa operária, a qual foi fortemente reprimida pelo governo. A partir daí, com o acirramento do caráter fascista do regime militar, com a repressão aumentando, com as prisões, o exílio de lideranças, as torturas e as mortes de oposicionistas ao governo, de lideranças sindicais, operárias, estudantis e populares, vai se fechando o cerco, e o movimento sindical sofre as conseqüências inevitáveis. As greves reduzem-se a tal ponto que, no ano de 1971, não há registro de sequer uma greve.

Nos panfletos dos Sindicatos dos Trabalhadores nas Indústrias – Sindicato Reunidos – de maio de 1972, há registros de que as entidades enviavam reivindicações às suas Federações e à CNTI (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria) demonstrando o aumento do custo de vida e do aumento salarial. Enquanto o café tinha aumento de 163%, o arroz, o sal, o feijão e a carne subiam 68%, os reajustes salariais dos dissídios – permitidos pelo governo – não passavam de 23%.

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