| A CLASSE OPERÁRIA
VOLTA ÀS RUAS Enquanto
se consolidava no Brasil o complexo industrial
erguido sob o paradigma tecnológico e produtivo
fordista, aflorava ao final dos anos 70 uma “nova
classe operária”, portadora de reivindicações
que viriam abalar a condução autoritária
e excludente com a qual estava se encaminhando
o padrão de desenvolvimento brasileiro.
Expressão contraditória desse mesmo
modelo, o “novo sindicalismo” emerge
dos setores mais dinâmicos da acumulação
e adquire visibilidade a partir das grandes mobilizações
e greves de 1978/79. A entrada em cena desses
“novos personagens” recoloca a fábrica,
as ruas, os campos de futebol, as praças
e até as igrejas como “palcos políticos”,
inaugurando um novo período da nossa história.
O país, que há
vários anos convivia com o silêncio
da repressão e com as decisões elaboradas
nos quartéis, é sacudido pelas manifestações
operárias em defesa da redemocratização.
Os trabalhadores trouxeram para dentro dos sindicatos,
até então absorvidos pelo assistencialismo
burocrático, uma nova prática política,
mostrando que não se contentavam com as
reivindicações meramente economicistas.
Ao lado das bandeiras exigindo melhores condições
de vida e de trabalho, eram colocadas questões
mais amplas, tais como: autonomia sindical, direito
de greve, negociação coletiva e
representação operária nos
locais de trabalho. Os trabalhadores organizados
– tendo como um de seus líderes o
então sindicalista e metalúrgico
Luis Inácio Lula da Silva ? em plena crise
econômica e pressionados pela inflação
que corroia seus salários, puderam avançar
na recuperação de seus direitos,
na criação das centrais sindicais,
na ampliação das suas bases, no
aumento das taxas de sindicalização,
na abertura dos espaços de negociação
e na conquista de uma maior legitimidade social.
As classes trabalhadoras retornam à cena,
ocupando um papel de destaque nas decisões
dos rumos a serem trilhados pela política
nacional.
Os andamentos da História
acenavam que o Brasil entraria em uma nova fase
de desenvolvimento social. Portanto, antes mesmo
que se completasse o ciclo de consolidação
industrial baseado na ampliação
das normas de produção e de consumo
em massa, abateu-se sobre o país uma nova
“onda de crise”, de caráter
mais duradouro, que iria persistir por toda a
década de 80 e se estender até os
dias atuais.
Em 1980, o movimento sindical relança a
idéia de uma grande Conferência Nacional
das Classes Trabalhadoras. São realizados,
portanto, vários encontros com muitas divergências.
Com o renascimento do movimento
de trabalhadores, as grandes greves e o fim da
ditadura se constitui em uma nova ansiedade. Em
10 de fevereiro de 1980, forma-se uma Comissão
Provisória Nacional de 2000 simpatizantes,
que reunida no Colégio Sion, em São
Paulo, aprova o Manifesto do Partido dos Trabalhadores
- PT. Em 31 de maio e 1º de junho do mesmo
ano, o PT realizou um Encontro Nacional que aprovou
seu programa e seu estatuto. |