| RESSURGIMENTO
DO SINDICALISMO EM CAXIAS Em
1981, ocorreu eleição para o sindicato
com três chapas concorrentes, sendo eleito
Romeu Pieruccini. No ano de 1982, lutava-se contra
o desemprego, e a campanha salarial pedia 15%
acima do INPC (Índice Nacional de Preço
ao Consumidor), que no mês de maio daquele
ano havia sido de 38,8%. As assembléias
de dissídio eram realizadas no Ginásio
Pedro Carneiro Pereira – o Pereirão
– que ficava praticamente lotado.
Enfim, uma central sindical.
Em 28 de agosto de 1983, em São Bernardo
do Campo, fundou-se a Central Única dos
Trabalhadores – a CUT – com 5 mil
delegados de todo o Brasil. Mas houve uma parte
de sindicalistas que não participou. Os
sindicalistas da chamada Unidade Sindical, em
novembro do mesmo ano, realizaram o Conclat –
Congresso Nacional da Classe Trabalhadora.
Basta de fome! Basta de arrocho!
Basta de desemprego! Fé no trabalhador
e pau no patrão. Essas eram as chamadas
no panfleto que convocava os metalúrgicos
de Caxias para a assembléia do dissídio
de 1984. E havia a comparação das
altas dos preços dos gêneros de primeira
necessidade no período de 1983 a 1984:
açúcar 297%; banha de porco 9.097%;
feijão 521%; leite 323%, entre outros.
Este mesmo panfleto noticiava a greve que havia
ocorrido na empresa Madal, que estava com o pagamento
atrasado desde janeiro. Segundo o impresso, “a
unidade foi o ponto forte da greve e fez o patrão
estremecer diante da união dos companheiros”.
A empresa pagou os meses de janeiro e fevereiro
e se comprometeu em regularizar a situação,
o que, de fato, acabou acontecendo.
O tal panfleto convocatório
para o dissídio também chamava para
o grande comício das “Diretas Já”,
às 18h, do dia 24 de abril de 1984, na
Praça Rui Barbosa.
No dia 30 de junho de 1984, foi
inaugurado o ambulatório médico
e odontológico, com quatro andares de consultórios
para atendimento aos associados.
Em agosto de 1984, o presidente
eleito foi Ênio João da Silva Marques,
trabalhador da Pigozzi, tendo como vice-presidente
Paulo A. da Costa, da Intral. Neste ano, havia
algumas manifestações, mas ainda
tímidas. Acontece também o 1º
Congresso Operário.
Após longos anos sem usar
sua mais poderosa arma – a greve, os trabalhadores
metalúrgicos de Caxias foram à luta
com grande combatividade e entusiasmo em busca
de trimestralidade, reposição salarial,
redução da jornada de trabalho e
da estabilidade de emprego. Há mais de
20 anos que não havia greve. Em 1985 as
greves ainda refletiam a luta contra a ditadura
militar e as greves de 1979. Por isso, as várias
paralisações eram localizadas, mas
em várias empresas ao mesmo tempo –
praticamente uma greve geral da categoria ? e
a principal reivindicação era por
aumento salarial e melhores condições
de trabalho. Depois, por gatilho salarial e redução
da jornada de trabalho de 48 para 44 semanais,
e ainda, percentual de horas extras. Naquele período,
a inflação era muito alta. Nas assembléias,
eram escolhidas comissões de fábrica,
que ficavam responsáveis pelas negociações
com as empresas.
Esse sistema fez com que a cidade
ficasse quase uma semana parada, cerca de 75%
da categoria parou, mas sem organização,
conta o sindicalista Werner Diehl, hoje tesoureiro.
Com estas greves, se conseguiu implantar as comissões
de fábrica, que também conquistaram
estabilidade de seis meses. No entanto, ameaças
de demissões começaram a esfriar
as greves e as paralisações. A diretoria
do sindicato caiu em descrédito. Houve
desgaste da diretoria.
Valdecir Souza de Lima, ex-operário
metalúrgico e hoje advogado da entidade,
lembra que os movimentos eram quase espontâneos.
Naquele período, cada diretor acompanhava
uma empresa devido às suas especificidades.
“A greve começou na Eberle São
Ciro e veio em caminhada pela BR 116 até
o Parque Getúlio Vargas, também
conhecido como Parque dos Macaquinhos”,
recorda.
Já em 1986, as negociações
foram mais truncadas, os empresários estavam
mais organizados. Isso devido às greves
do ano anterior. Desta vez, o grande confronto
foi na Randon. Na entrega da pauta de reivindicações,
os empresários não queriam negociar,
nem mesmo receber as comissões de fábrica.
Em seguida, queriam limitar o número de
negociadores. A Randon parou. Houve confronto
com a polícia. Logo depois várias
empresas também pararam. A greve refletiu
em Farroupilha, onde as empresas Tramontina e
Soprano também pararam suas atividades.
Em decorrência dessas paralisações,
houve a negociação. Jorge Rodrigues,
que iniciava sua trajetória sindicalista,
conta que os trabalhadores se organizavam dentro
das fábricas de forma clandestina e buscavam
estabilidade através da CIPA.
Werner Diehl lembra que, em março
de 1986, o então presidente do Brasil,
José Sarney, criou o Plano Cruzado –
que trocou a moeda e congelou os preços
?, e os índices de inflação,
que eram altos, caíram bruscamente. Isso
mudou o rumo das negociações do
dissídio daquele ano. O índice a
ser reivindicado já estava aprovado ? anterior
ao Plano Cruzado ? por isso os trabalhadores não
compreenderam a mudança, e na ânsia
de tentar buscar o índice aprovado em assembléia
decidiram pela greve. Embora a paralisação
tenha atingido um alto índice de trabalhadores,
nem todas as empresas paralisaram.
Enquanto isso, no mesmo mês
de março de 1986, aquela parcela de trabalhadores
que realizou o Conclat no Brasil fundou a CGT
– Central Geral dos Trabalhadores. Também
no início de 1986 surgiu a União
Sindical Independente – USI – esta
ligada ao sistema tradicional e ao governo. O
Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias filiou-se
à CGT.
Em 1987 houve nova eleição
com três chapas concorrentes, sendo eleito
para presidente José Altamiro Paim, o Zecão,
que trabalhava na Marcopolo, e para vice-presidente
Adroaldo de Almeida, também da Marcopolo.
Esta diretoria era composta pelas forças
políticas PDT, PT e PCdoB. Um dos acontecimentos
inéditos no dissídio daquele ano
foi a conquista de um percentual de adiantamento
para novembro. No mesmo ano, aconteceram várias
atividades, entre elas greve geral de dois dias
e assembléias em portas de fábrica.
Em julho de 1987, foi implantado
o Plano Bresser, que congelou os salários
por 90 dias. Depois passou a reajustá-los
pela URP (Unidade de Referência de Preço).
Nos anos de 88 e 89, os percentuais de dissídio
foram considerados bons, com alguns avanços.
Neste período aconteciam greves relâmpago. |