| ANO DA NOVA CONSTITUIÇÃO
BRASILEIRA – 1988 O
sindicalista Assis Melo lembra que a luta dos
trabalhadores nos últimos anos pela retomada
da democracia e o avanço na redemocratização
do país apontou para a possibilidade de
ampliar a luta dos trabalhadores. O reflexo dos
movimentos organizados de 84 e 85 contribuíram
para que os trabalhadores conquistassem maior
liberdade na Constituição de 88,
tanto na questão trabalhista quanto de
organização sindical.
A inflação no Brasil
era um monstro. A campanha salarial dos Metalúrgicos
de Caxias pedia 438% de aumento. O panfleto que
chamava para a Assembléia de dissídio
apontava: aumento dos preços 1.194% e o
aumento de salário 567,49%, no período
de junho de 1986, Plano Cruzado, a maio de 1988.
Só de janeiro a maio daquele ano a inflação
havia sido de 128,61%. O Brasil vivia um período
de hiperinflação e arrocho salarial.
Enquanto os trabalhadores pediam um salário
normativo de 35.508,00 cruzados, o Dieese apontava
que o mínimo deveria ser de 52.520,00 cruzados.
Assis Melo recorda que, depois
da promulgação da Constituição,
houve uma Greve Geral com participação
bastante importante da categoria, destacando as
bases de Carlos Barbosa e São Marcos, sendo
que nesta última a greve durou 20 dias.
As reivindicações eram por melhores
salários e condições de trabalho.
Neste período, o sindicato mantinha um
programa semanal na Rádio Difusora. Todos
os sábados às 18h30min.
Em março de 1989, estoura
a Greve Geral de dois dias no país (14
e 15). O então presidente da República,
José Sarney, havia implantado o Plano Verão
em janeiro. Esse plano, como os anteriores, não
atacava as causas estruturais da inflação
e conseqüentemente os trabalhadores pagaram
os efeitos. A reivindicação era
de 114,78%. No mesmo ano, a assembléia
de dissídio não coube no auditório
do sindicato e foi realizada na rua, em frente
à entidade. Nem o frio, nem a chuva afastaram
os trabalhadores, que não aceitaram a contraproposta
patronal e decidiram pela “operação
tartaruga”.
Neste mesmo ano, em assembléia
geral, a categoria aprovou a ampliação
da diretoria plena do sindicato de 24 para 169
dirigentes. Alteração respaldada
na Constituição de 1988. |