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ANOS 90 – ERA DA RETIRADA DE DIREITOS

O Brasil elege para presidente Fernando Collor de Mello, que implantou o Plano Collor, e conforme o sindicalista Jorge Rodrigues, neste mesmo período se iniciou uma maior ofensiva contra o movimento sindical e ameaças de retirada de direitos dos trabalhadores. Assis Melo reforça dizendo que no governo Collor a luta dos trabalhadores e as leis trabalhistas sofrem um retrocesso. E mais, nasce a Força Sindical, com apoio político e financeiro do governo. O objetivo dessa nova central era fazer um contraponto à CUT. A Força Sindical fecha acordos prejudiciais aos trabalhadores e apóia as iniciativas do governo. Era um braço do governo no sindicalismo como nos tempos dos “amarelos”. O sindicalismo começa a perder força. Collor criou a divisão entre os trabalhadores.

Em Caxias do Sul, estouram greves em diversas empresas, mas a mobilização não foi suficiente para garantir a conquista do dissídio, que foi para a Justiça. A luta era para manter e assegurar os direitos. Nesse aspecto, a Federação dos Metalúrgicos do Estado sempre esteve à frente da resistência. Na posição ofensiva.

Nova eleição para a diretoria reelege Zecão, com Jorge Antônio Rodrigues como vice. No ano seguinte, o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias filia-se à CUT. Nos anos de 91 e 92, houve uma grande pressão sobre os trabalhadores com perdas de direitos. Mesmo assim, o sindicato ganhou várias ações na Justiça e continuava na linha de frente.

Neste ano também acontece em Caxias a 3ª Romaria do Trabalhador.
Rodrigues recorda uma grande vitória no Grupo Tramontina, de Carlos Barbosa, quando, com o apoio da sociedade, os trabalhadores conquistaram mudanças no sistema de recursos humanos da empresa.

Assis Melo lembra que a ofensiva contra os trabalhadores sofreu um corte, quando a grande luta popular refletiu no Congresso Nacional e culminou com a cassação do presidente Collor. Foi o “Fora Collor”. A era dos “Caras Pintadas”. Assumiu o governo federal o vice-presidente Itamar Franco, que segurou a fúria contra os trabalhadores por 2 anos.

No mês de março de 1993, divergências políticas na direção do sindicato resultaram em uma intervenção judicial no mês seguinte. Toda a diretoria foi afastada. Assume uma Junta Governativa, e a justiça determina a saída do presidente. Cinco meses depois, o vice Jorge Rodrigues assume. Logo em seguida, é convocada nova eleição, com duas chapas concorrentes, sendo candidatos Jorge Rodrigues e Eliseu Lima. A vitória foi de Rodrigues, que passa a introduzir a política da Corrente Sindical Classista (CSC), juntamente com a Articulação Sindical (Artsind) e Alternativa Sindical Socialista (ASS). É a volta de um comunista à presidência do sindicato depois de 30 anos.

Rodrigues conta que, de 93 a 96, em seu primeiro mandato como presidente eleito pela categoria, havia uma forte repressão ao movimento sindical no Rio Grande do Sul. Mas os trabalhadores gaúchos, diferentemente dos de outras regiões do país, mantinham grande resistência contra o banco de horas e contra a redução da jornada de trabalho com redução salarial. No entanto, devido às peculiaridades do Estado, o sindicato sempre ganhava as causas em primeira instância. Mas quando os julgamentos saíam do Estado, ou seja, a partir da segunda instância, as decisões eram contra os sindicalistas.

Como o governo Itamar freou o ataque aos trabalhadores, a direita e a elite brasileira estavam bem articuladas e, em 1994, elegeram Fernando Henrique Cardoso, que veio com força total e atacou os trabalhadores com a retirada de direitos.

Neste período, começam as implantações da reestruturação do trabalho. Métodos japoneses como Kambam, just in time, entre outros. Redução da mão-de-obra. Reduz a contribuição ao sindicato e uma grande ofensiva como ameaças de demissão. A FIERGS ? Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul ? orienta as empresas a demitir toda e qualquer liderança. “Uma caça aos dirigentes”.

O dissídio de 1994 também foi difícil. Neste período, foi a implantação do Plano Real e a conversão do Cruzeiro para a URV (Unidade de Referência de Valores). Com a troca de moeda no sistema econômico, o trabalhador perdeu muito do poder aquisitivo. Assim o dissídio foi complicado, de difícil negociação. Mesmo assim, o sindicato, continuava, pressionando. Uma das formas de pressão usadas foi trancar a RS 122, impossibilitando o acesso ao Distrito Industrial, o que atrasou em cerca de uma hora o início das atividades nas fábricas. Formou-se um fila de cerca de 3 quilômetros. Era 28 de junho. O presidente Jorge Rodrigues disse na época: “é a única forma de os empresários se voltarem à realidade da categoria.”

Naquele ano de 95, os metalúrgicos foram chamados a fazer oposição ao governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso (FHC) e aprovaram, em assembléia, as bandeiras de luta a serem defendidas pelo Sindicato, que foram: O Brasil é dos brasileiros; o Brasil precisa de crescimento e não de juros altos e recessão; O Brasil precisa de alimentos e não o sucateamento da agropecuária; Os brasileiros bradam por liberdade, emprego e Justiça Social; e pela preservação do patrimônio e pela soberania nacional.

No mesmo ano, o Sindicato entrou na Justiça para recuperar a correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) dos períodos de junho de 1987 e janeiro de 1989, abril e maio de 1990, e fevereiro e março de 1991. Esses valores haviam sido retidos pelo governo.

Em 1996, ocorrem novas eleições nos dias 28, 29 e 30 de maio, concorrendo três chapas. Com Jorge Rodrigues concorrendo à reeleição, Júlio Chaves, pela chapa “independente”, formada por dissidentes da diretoria atual, e Valdemar de Lima, representando a Força Sindical e a oposição. A eleição ocorreu em dois turnos, sendo o segundo nos dias 18, 19 e 20 de junho. Jorge Rodrigues se reelegeu tendo a seu lado, como vice-presidente, Renato José Ferreira de Oliveira, da Eberle, mantendo a mesma composição política na direção. Esta foi uma das eleições mais conturbadas de que se tem notícia no sindicato. Houve intervenção judicial na comissão eleitoral, e a polícia militar comandou a entrada e saída da entidade.

No dissídio deste mesmo ano, o Sindicato inovou. Fez propostas diferentes para cada setor, conforme a situação de cada um. Onde havia crescimento, o percentual e o piso eram maiores, onde o crescimento era baixo, outros percentuais e pisos.

Ainda em 96, foram feitas melhorias na Sede Campestre iniciando-se a construção das piscinas adulto e infantil e das churrasqueiras.

No mês de setembro de 1996, o sindicato também realizou o I Seminário sobre Acidentes de Trabalho e Doenças Profissionais. Foi dirigida atenção especial às Lesões por Esforços Repetitivos (LER), devido a grande incidência dessa doença entre os trabalhadores. As doenças profissionais e os acidentes de trabalho já estavam causando muitos transtornos para os trabalhadores. Em novembro, é assinado um convênio com a Universidade de Caxias do Sul, estabelecendo-se uma parceria para a pesquisa sobre Saúde Ocupacional.

Em julho de 1997, “o sindicato estourou a caixa preta dos empresários”, dizia um panfleto da época. Os trabalhadores metalúrgicos e comerciários organizados pelo sindicato entraram na reunião-almoço dos empresários, em plena Câmara de Indústria e Comércio (CIC), munidos de cartazes que diziam: Para a melhor mão-de-obra é pago o pior salário; empresários querem lucro máximo e pagam salário de fome. Era época de negociação de dissídio, e os empresários não queriam conceder o aumento desejado. Enquanto as empresas acumulavam crescimento de 12,69%, os patrões ofereciam 2,5%. A pressão não parou por aí. Em defesa do salário dos metalúrgicos, a diretoria foi à luta. Demonstrando coragem, criatividade e combatividade, promoveu atividades inovadoras. Na madrugada do dia 15 de julho, no Bairro Fátima, o sindicato impediu a passagem de vários ônibus que levavam trabalhadores para as empresas, fazendo atrasar o início do trabalho em diversas fábricas. No dia seguinte, em uma ação ousada, trancou a BR 116, durante mais de uma hora, atrasando o início do trabalho especialmente dos metalúrgicos da Marcopolo Ana Rech. A assembléia foi feita ali mesmo, no meio da rua.

Mesmo não alcançando o índice que queriam, os trabalhadores saíram vitoriosos conquistando 7,16% mais 1% de aumento real. Parecia bastante, mas não refletia a realidade das necessidades dos trabalhadores.

Neste mesmo ano, foi implantada no sindicato, com aprovação em assembléia geral, a contribuição confederativa como forma de aumentar a arrecadação da entidade. Para contemplar os participantes, foi realizado sorteio de um carro, um computador e uma máquina de lavar roupas, com sorteio extra de um carro para os associados participantes. O sorteio aconteceu em dezembro.
No ano de 1998, o Rio Grande do Sul elegeu pela primeira vez na história um governo da Frente Popular (PT, PCdoB, PCB, PSB). Olívio Dutra teve apoio dos trabalhadores e do movimento sindical do Estado.

Em 1999 mais uma eleição para diretoria sendo concorrentes Jorge Rodrigues à reeleição e Valdemar de Lima como oposição. Rodrigues mais uma vez foi reeleito tendo como vice-presidente Assis Melo.

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