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MULHERES NA LUTA

As mulheres sempre foram discriminadas enquanto sexo feminino e exploradas enquanto classe social. No início do século passado, as mulheres não tinham direito de aprender a ler, escrever, votar, trabalhar fora de casa. A sociedade acreditava que bastava a mulher ser boa dona de casa, boa mãe, saber bordar e cozinhar.

Aos poucos, as mulheres foram conquistando seus direitos e seu espaço na sociedade. Começam a trabalhar fora em profissões consideradas femininas. Em 1932, ganham direito ao voto. Até que chegam às fábricas, embora como mão-de-obra de reserva, porque a industrialização oferecia uma grande demanda. No entanto, suas tarefas eram as mais minuciosas, as mais estressantes e que tinham os menores salários. As mulheres eram exploradas, chegavam a trabalhar 16 horas diárias e ainda tinham a responsabilidade de cuidar da casa, do marido e dos filhos. A fatídica dupla jornada de trabalho.

A exploração era tanta que no início do século, em 1917, as tecelãs de São Paulo fizeram uma das maiores greves daquele tempo, e lutando pelos seus direitos. Em Caxias do Sul, as mulheres trabalharam na metalurgia desde o início das industrialização, tanto que uma das maiores empresas que a cidade já teve foi fundada por uma mulher, Luigia Carolina Zanrosso Eberle, a Gigia Bandeira. Elas também foram vítimas do próprio trabalho: em 1943, explodiu uma unidade da empresa Gazola, que fabricava armamento militar, matando trabalhadoras.

A participação delas também é percebida quando se tem registros de sindicalização, desde a década de 40.

As metalúrgicas de Caxias tiveram participação importante na greve de 1963, uma das maiores da categoria. Mas, pelo sindicato ser considerado um espaço de dominação masculina e as mulheres terem responsabilidades domésticas, a participação na direção da entidade demorou a chegar.

O primeiro registro da participação das mulheres na direção do sindicato data de 1987, quando Claraci Severo foi eleita suplente de direção. Claraci só alcançou um cargo de diretora executiva em 1990, quando foi criado o Departamento Feminino onde permaneceu por duas gestões. O departamento contava com 15 mulheres. Em 1993, a participação feminina foi ampliada, com a chegada de Mari dos Santos Nery, como 1ª Secretária. Na eleição de 1996, Claraci se afastou da direção executiva e Mari Santos passa para o Departamento Feminino. Nesta gestão, ingressam outras companheiras, Eremi Melo Fragoso, que assume o Departamento de Formação, e Bernardete Baltazar, responsável pelo Departamento de Saúde. Nas eleições de 1999 e 2002, Mari e Eremi permanecem na executiva tendo outras companheiras na direção plena.

A luta das mulheres obteve conquistas importantes na Constituição de 1988, como a ampliação da licença maternidade. Enquanto direção do sindicato, conquistaram no dissídio direito de as gestantes terem saída antecipada em 10 minutos das empresas. Nesse período, o sindicato atuou com outras entidades de luta para reforçar o combate à discriminação da mulher com a campanha de valorização do trabalho feminino Salário Igual para Trabalho Igual.

Foi com a chegada das mulheres na direção que o Sindicato passou a trabalhar as questões femininas com mais intensidade. As comemorações do dia 8 de março – Dia Internacional da Mulher ? passam a ser uma constante na entidade. São realizadas palestras sobre saúde da mulher e da trabalhadora, incentivo à realização de exames preventivos de câncer de mama e de útero, esclarecimentos sobre os direitos sociais e trabalhistas, e como e onde buscar ajuda em casos de violência no local de trabalho e dentro de casa. Todos estes assuntos foram editados na Cartilha da Mulher Metalúrgica, em 2001. Este movimento feminista cresce, a cada ano, com a participação nas atividades do movimento de mulheres na cidade, no estado e no país. E também em movimentos sociais como UBM? União Brasileira de Mulheres?, UMCA? União de Mulheres Caxienses?, Conselhos Municipal e Estadual da Mulher, e Fórum de Mulheres Caxienses.

Atualmente, as mulheres metalúrgicas já atingem 12% da categoria. Visando solidificar a organização deste contingente, o Departamento Feminino e a direção do sindicato pretendem aumentar a cota de participação das mulheres na direção e na vida da entidade.

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