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SÉCULO 21 – NOVOS VENTOS SOPRAM NO BRASIL

A década de 90 foi marcada por um aumento crescente do desemprego. No final do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso na presidência da República, houve reação dos trabalhadores e grande resistência dos sindicatos, os quais conseguiram impedir a retirada de direitos assegurados na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT. O início da nova década foi marcado por grandes greves como a dos caminhoneiros, que pararam o país, e a dos petroleiros. Mas houve desmonte dos sindicatos, e os esforços não surtiram efeito.

O novo milênio parece ser mesmo para os trabalhadores. Em outubro de 2000, vitória histórica para o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias no processo do Fundo de Garantia iniciado em 1995. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu as perdas ocorridas com os planos Verão e Collor 1. Essa vitória representou o emprenho da direção do sindicato e do Departamento Jurídico, sob a coordenação do advogado Assis Carvalho. A decisão favorável aos trabalhadores de Caxias beneficiou todos os brasileiros que haviam sido lesados pelo próprio governo federal.

Em janeiro de 2001, o presidente Jorge Antonio Rodrigues se licencia para assumir o cargo de secretário municipal dos Serviços Públicos Urbanos, no governo da Frente Popular, que tem Gilberto Pepe Vargas (PT) como prefeito reeleito. Assume a presidência do sindicato o vice-presidente Assis Flávio da Silva Melo.

Neste mesmo mês, acontece em Porto Alegre o primeiro Fórum Social Mundial, um contraponto dos trabalhadores do mundo ao Fórum Econômico Mundial que acontecia em Davos, Suíça.

No mês de abril de 2001, o Sindicato promove um seminário sobre Direito Previdenciário em Capão da Canoa, do qual participam metalúrgicos aposentados e sindicalistas de várias categorias. As palestras foram proferidas por especialistas no assunto.

Em 2002 acontece nova eleição, e Assis Melo é candidato à presidência. E em fato inédito nos últimos anos, a eleição acontece com chapa única. Mesmo assim, a chapa vai às fábricas pedir votos e divulgar suas propostas. A eleição aconteceu nos dias 3, 4 e 5 de abril e a chapa única alcançou 94,6% dos votos válidos, com o maior número de votantes.

Neste mesmo ano, o Brasil elege Luis Inácio Lula da Silva para presidente da República. Um representante dos trabalhadores, grande líder sindical no final dos anos 70 e início dos 80. Nasce a esperança de um novo rumo para o Brasil. Sobre o novo governo, o atual presidente Assis Melo analisa: “Estamos em um período de transição, e os trabalhadores são os autores desta transição. Lutamos para derrotar FHC e construir um governo democrático e popular. Este é um governo constituído por forças, até então, reprimidas pelos governos anteriores e pelas elites brasileiras. Prova disso é que pela primeira vez na sua história, o Brasil tem um Ministro Comunista (nos Esportes). O movimento sindical está na expectativa de ajudar a construir um governo que possa ampliar a participação dos trabalhadores e desenvolver o país, com avanço nas conquistas dos trabalhadores.” Melo complementa dizendo que isso não significa que o sindicato seja atrelado ao governo. O sindicato continua sendo um instrumento de luta dos trabalhadores para ampliar suas conquistas. “O sindicato é independente e tem sua luta própria, por isso a necessidade de fortalecimento e organização da entidade”, garante.

A administração Assis Melo se destaca com o Sindicato na mídia oficial, ou seja, mais divulgação das atividades, das ações, da participação e do envolvimento da entidade com a categoria e com a sociedade. Desde 11 de fevereiro de 2001, o Sindicato mantém um programa semanal na televisão, o Minuto Metalúrgico. Também tem mantido a periodicidade do informativo O Metalúrgico. “Queremos dimensionar o conceito da entidade e passar isso para a sociedade. Porque além de instrumento de luta, o sindicato faz parte da sociedade e merece respeito”, conclui.

Outro destaque feito pelo presidente foi as campanhas de novos associados feitas em 2002 e reeditada em 2003. “Essas campanhas resgataram a participação dos trabalhadores no sindicato. Conseguindo, assim, resgatar a confiança do trabalhador junto a sua entidade de classe”, reflete.

Neste ano, uma grande vitória dos trabalhadores foi a conquista da reposição total da inflação no dissídio, resolvida na base da negociação. Diz Assis Melo: “houve luta e participação dos trabalhadores com pressão organizada, e com esta contribuição a direção do sindicato teve condições de conduzir as negociações para o caminho da vitória. E nesta parte o novo governo fez diferença, já que não houve “canetaço” para esconder os índices de inflação, como acontecia em anos anteriores”, desabafa. O sindicato também participa da Jornada Nacional de Lutas por Trabalho, Salário, Terra e Direitos Sociais.

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