Sexta-feira, 30 de Julho de 2010

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Os riscos do

Os riscos do "capital de motel"

Umberto Martins

Os críticos do neoliberalismo costumam classificar de "capital de motel" os investimentos estrangeiros de curto prazo aplicados no país, que entram e saem na economia da noite para o dia sem nenhum compromisso com o desenvolvimento nacional e em nome de um só interesse: o lucro fácil, elevado, imediato e se possível sem risco.

 

O comportamento do mercado de capitais nos últimos dias revela que este tipo de investimentos (dirigidos principalmente à especulação na bolsa de valores e com títulos de renda fixa, especialmente públicos) pode provocar prejuízos à economia nacional e desequilibrar a balança de pagamentos. Isto já ocorreu em outras ocasiões do passado, como durante a crise cambial de 1988, quando a taxa de câmbio (é bom recordar) era fixa e 1 real equivalia a 1 dólar.



Fuga de capitais


Em apenas cinco pregões de janeiro, do dia 20 ao 27, os investidores estrangeiros retiraram 2,5 bilhões de dólares da Bolsa de Valores de São Paulo, o que explica em larga medida o declínio do Ibovespa na última semana e a trajetória do dólar, que fechou sexta-feira valendo R$ 1,885, pelo nono dia consecutivo de alta. A moeda imperial acumulou ganho de 6,6% no período.



Os índices traduzem uma fuga de capitais que embora possa ser considerada como modesta, diante de reservas que somavam mais de 240 bilhões de dólares no final de semana, é um sinal que deve causar preocupações, pois a verdade é que infelizmente a economia nacional ainda não superou a vulnerabilidade e dependência externa.



O Brasil terá de atrair mais de 50 bilhões de dólares em investimentos externos neste ano para zerar o balanço de pagamentos, dado a perspectiva de agravamento do déficit em conta corrente e a deterioração da balança comercial. É o resultado do gigantesco passivo externo, que cresce com o ingresso de capitais estrangeiros, demandando uma remuneração crescente, que hoje se dá principalmente através das remessas de lucros e dividendos. Essas devem se aproximar dos 40 bilhões de dólares em 2010.

Contradições

A depreciação do real frente ao dólar é geralmente vista como um bom negócio para a economia, pois tem o dom de estimular exportações e deprimir importações. Mas, a verdade é que os efeitos da variação do câmbio são contraditórios. A desvalorização da moeda nacional afeta os preços das mercadorias. Joga água no moinho da inflação e fornece um bom pretexto para o nosso Banco Central aumentar ainda mais os juros reais, que já são hoje os maiores do mundo.



O que, definitivamente, faz mal à economia nacional é a manutenção de um viés claramente neoliberal na orientação macroeconômica, tanto no campo fiscal (com o famigerado superávit primário, que subtrai investimentos públicos), quanto monetário (juros altos) e cambial. O câmbio flutuante é um luxo caro ao qual o governo já deveria ter renunciado, principalmente em períodos de instabilidade monetária internacional, como o que estamos vivendo na atualidade, quando compra e venda tende a se transformar num jogo arriscado e o comércio exterior num cassino.



O exemplo da China


A China nos dá um exemplo muito prático e convincente dos benefícios provenientes de um câmbio administrado. O que impede o Brasil de seguir o exemplo chinês? Ao lado da mudança da política cambial, é preciso pôr fim ao liberalismo no tratamento concedido ao capital estrangeiro, e cortar as asas especialmente do capital de motel, que chega e sai à hora que bem quer, pouco se importando para os impactos desta conduta nas contas externas do país. É o que também faz a China.

Cumpre ainda taxar e restringir as remessas de lucros ao exterior patrocinada pelas transnacionais, principal causa do preocupante crescimento do déficit em conta corrente; reduzir (bem mais) as taxas de juros na fonte e na ponta, de forma a tornar supérfluo o superávit primário e potencializar o crescimento do PIB.



Não falta quem se ufana com um crescimento em torno de 5% a.a do PIB. Isto é compreensível, visto que vivemos mais de 25 anos com a renda per capita estagnada e um crescimento bruto do produto pouco superior a 2%. Mas, a verdade é que na corrida do desenvolvimento isto ainda é pouco. A China cresce a 9 ou 10%, a Índia cerca de 8% e o próprio Brasil já obteve médias superiores a 7% no passado. Se não quisermos ficar para trás, é indispensável maior ousadia e esta começa pela mudança corajosa da política econômica.

 

 

Umberto Martins é jornalista e editor do Portal CTB

 

 


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Nome: debora
Comentário: por acaso vai haver eleicoes para essa comitiva se mobilizar em busca de uma universidade gratuita? é isso mesmo que o povo caxiense mais necessita?…

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