Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

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Mercado de trabalho deve seguir forte em 2012, projetam economistas

 

O cenário externo negativo não deve atrapalhar significativamente a evolução do mercado de trabalho em 2012, avaliam economistas ouvidos pelo Valor. Os dissídios menos robustos serão compensados pela alta do mínimo e por uma inflação menor, o que vai manter a renda em patamar elevado, e a taxa de desemprego não deve mais registrar recordes históricos de baixa, mas vai seguir ao redor dos 6%, taxa média de 2011.

Segundo Fabio Romão, da LCA Consultores, a taxa de desocupação de 4,7% registrada em dezembro dificilmente será alcançada em algum mês deste ano, mas, na média, o desemprego deve ficar em 6% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2012. “A ocupação deve evoluir em um ritmo um pouco mais fraco em 2012, mas na média terá um crescimento parecido com o de 2011”, diz. A população ocupada encerrou 2011 com avanço médio de 2,1%, após crescimento de 3,5% em 2010.

Para Fernanda Consorte, do Santander, a taxa de desemprego média terá uma ligeira alta entre 2011 e 2012, para 6,2%, mais como um reflexo de uma pressão maior da PEA, já que a procura por trabalho deve aumentar em relação a 2011, do que por um enfraquecimento na geração de postos de trabalho. Na média do ano passado, a PEA cresceu 1,2%, contra 2% em 2010.

Já as estimativas da Tendências Consultoria apontam para uma taxa de desocupação média de 5,8% em 2012, já que seu cenário não contempla uma ruptura no ambiente internacional.  “Teremos uma blindagem contra a crise vinda do mercado de trabalho”, diz o economista Rafael Bacciotti. Ele destaca, no entanto, que o aumento do mínimo pode ter um efeito inibidor sobre a geração de empregos, já que aumenta os custos da mão de obra. “Além disso, o mercado de trabalho já está com ociosidade reduzida”, acrescenta.

Em 2012, o rendimento médio real dos trabalhadores pode ter um desempenho um pouco melhor do que o de 2011, quando cresceu 2,7% sobre 2010, com a injeção do mínimo, que indexa um quarto dos salários pesquisados pelo IBGE. Além disso, os economistas consultados contam com inflação menor este ano, o que também contribui para elevar a renda média real. Para Romão, da LCA, o crescimento da renda este ano só não vai ser mais acentuado porque as negociações salariais serão “mais árduas”, como reflexo da desaceleração da atividade econômica observada em 2011.

 

Do Valor Econômico


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