
13/10/2009
Nesta terça-feira, às 15h30min, a Comissão Temporária Especial Pró-Universidade Pública da Câmara de Vereadores de Caxias do Sul, reativada no início deste ano, deflagra uma campanha de mobilização da comunidade por meio de um abaixo-assinado. O ato será no plenário do Legislativo.
O objetivo segue o mesmo, mas o alvo mudou. Antes, a luta era pela federalização da Universidade de Caxias do Sul (UCS). Não deu certo. Agora, o pleito é por uma extensão da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Caxias. A Serra reivindica uma universidade federal há 40 anos. A viabilidade da extensão existe, mas é preciso percorrer um longo caminho para passar da intenção à concretização. Em nota enviada à reportagem, o Ministério da Educação (MEC) descarta a possibilidade, pelo menos em um primeiro momento.
O presidente da comissão, vereador Assis Melo (PC do B), está convicto de que com uma grande mobilização será possível tornar o sonho realidade. A comissão deve colocar o abaixo-assinado à disposição da população na prefeitura e na Câmara, além de sindicatos, entidades empresariais e em grandes empresas da cidade.
Assis relata que a comissão também estuda como disponibilizar o abaixo-assinado na internet. Outra estratégia de divulgação da campanha será colocar adesivos e cartazes nas ruas para reivindicar a extensão.
O movimento desencadeado nesta terça prepara o terreno para a audiência pública sobre o tema, agendada para o dia 27 de novembro, às 9h, na Câmara. Para o encontro, a comissão planeja convidar o reitor da UFRGS, Carlos Alexandre Netto, além de deputados federais e estaduais e prefeitos da região. Assis diz que a comissão também tentará trazer a Caxias o ministro da Educação, Fernando Haddad, ou algum representante do MEC.
A esperança de Assis em relação à extensão da UFRGS vem de um encontro, no dia 29 de setembro, em Porto Alegre, entre a comissão e representantes de entidades com o vice-reitor da universidades, Rui Vicente Oppermann, à época reitor em exercício.
— A própria reitoria da UFRGS tem essa vontade (de criar a extensão da UFRGS em Caxias). O vice-reitor nos garantiu isso — conta o comunista.
Procurado pela reportagem, Oppermann não se manifestou porque estava em Brasília. Entretanto, na audiência com a comitiva de Caxias, o vice-reitor não descartou a possibilidade, mas alertou que era preciso muito trabalho.
— Temos que, inicialmente, fazer uma consulta pública para ver que tipo de expectativa existe até em relação aos cursos, mas o grande gargalo é a questão financeira. Nem vocês, nem nós temos recursos, apesar de existir a vontade política para isso. Mas esse é um momento político propício — declarou o vice-reitor Oppermann na ocasião.
O secretário de Comunicação da universidade, Flávio Porcello, garante que a UFRGS tem muito interesse em discutir o assunto, mas aguarda pela mobilização da própria comunidade da Serra.
Porcello lembra que o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem autorizado a criação de universidades federais em todo o país e que esse seria um bom momento para reivindicar a extensão.
Apesar da boa receptividade do comando da UFRGS, a demanda da comissão da Câmara ainda não chegou à pró-reitoria de Extensão da universidade, setor responsável por conduzir processos de expansão.
— Essa demanda ainda não chegou até nós para que possamos fazer estudos. Em tese, seríamos chamados para analisar essa demanda da Serra — confirma Angelo Ronaldo Pereira da Silva, vice-pró-reitor de Extensão da UFRGS.
* do jornalista Roberto Carlos Dias, para o jornal Pioneiro
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