
21/12/2009
Relatório divulgado, na última quarta-feira (16 de dezembro), pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) indica que 25,2% das mulheres e 43,2% dos homens no Brasil trabalham mais de 44 horas por semana. Segundo o estudo, a jornada semanal chega a ser de mais de 48 horas para 13,7% das pessoas do sexo feminino e para 25,2% daquelas do sexo masculino.
De acordo com a publicação Perfil do Trabalho Decente no Brasil, a média semanal de trabalho das mulheres entre 1992 e 2007 foi de 36,4 horas e a dos homens, de 44,4 horas.
A OIT alerta ainda que o número de horas semanais que as mulheres dedicam aos afazeres domésticos supera em 12,5 o dos homens. Se for considerada a dupla jornada, as mulheres trabalham em média cinco horas a mais do que os homens.
A jornada semanal de 48 horas de trabalho havia sido estabelecida no Brasil em 1943, mas, com a promulgação da Constituição Federal de 1988, foi reduzida a 44 horas. Dez anos depois, foi aprovada a Lei 9.601, que criou o chamado banco de horas (sistema de compensação de horas extras).
Em momentos de grande atividade da empresa, a jornada de trabalho pode ser ampliada em até duas horas extras por dia, sem que esse período trabalhado a mais seja remunerado, mas compensado posteriormente em momentos de redução da produção, por meio de folgas ou de diminuição da jornada diária até a quitação das horas excedentes.
Desemprego aumenta entre jovens de 15 a 24 anos
Em 1992, o índice de desemprego entre os jovens de 15 e 24 anos era de 11,9% e saltou para 17% em 2007. No mesmo período, o número de jovens que não trabalham nem estudam passou de 21,1 % para 18,8% respectivamente.
Entre 2005 e 2007, a desocupação caiu entre os jovens e os adultos em função dos níveis de crescimento econômico e do consequente desempenho do mercado formal de trabalho. No entanto, as diferenças significativas das taxas de desemprego entre esses grupos populacionais se mantiveram.
O estudo mostra variações com base no cenário político e econômico mundial. O aumento do desemprego entre o público jovem foi um dos pontos destacados na pesquisa. De acordo com a pesquisa, 6,4 milhões de jovens não estudavam nem trabalhavam, ou seja, um em cada cinco.
Em números expressivos, o ano de 2007 registrou um total de 7,8 milhões de trabalhadores desocupados, sendo que 3,6 milhões dessas pessoas (46,7% do total) tinham entre 15 e 24 anos de idade.
Além de fatores econômicos, o estudo apontou ligação direta às condições demográficas. Na década de 90, período em que surgiu a onda jovem, houve aumento da taxa de fecundidade, fato que gerou um crescimento expressivo da população juvenil. Essa realidade ainda hoje é constatada, embora em números cada vez menores.
Outro fator ligado ao desemprego nessa faixa etária é a questões de gênero e raça. Em 2006 entre as jovens mulheres negras a proporção daquelas que não estudavam nem trabalhavam era de 29,2%, cerca de 7 pontos percentuais acima das jovens brancas (22,4%) e cerca de três vezes superior à proporção dos jovens brancos do sexo masculino (10,3%).
O estudo mostra que o aumento da evasão escolar entre as jovens brasileiras é superior ao número de rapazes, já que muitas acabam se dedicando aos afazeres domésticos, ou em alguns casos, à maternidade, sobretudo entre as adolescentes.
Fonte: Portal CTB
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