
O mercado de reposição doméstico e externo foi determinante para que a Fras-le, de Caxias do Sul, sustentasse no ano passado faturamento muito próximo ao de 2008. A fabricante de materiais de fricção registrou receita bruta total de R$ 595,3 milhões, em alta de 0,5%, e líquida de R$ 428 milhões, recuo de apenas 1%. O volume comercializado ficou próximo a 85 milhões de peças, recuo de 4,2%.
Apesar da manutenção das margens brutas na casa de R$ 130 milhões, afetadas pela forte queda nos volumes de vendas do primeiro trimestre, descontos promocionais concedidos ao longo do primeiro semestre e capacidade produtiva ociosa das unidades fabris, o lucro líquido cresceu 72,2%, para quase R$ 44 milhões. O resultado decorre, em essência, pelo ganho financeiro de R$ 19,3 milhões, obtido, dentre outras ações, pela redução das despesas financeiras em R$ 35,3 milhões, 46% abaixo do registrado em 2008. A controlada das Empresas Randon alcançou margem líquida de 10,3%, quatro pontos porcentuais acima da anterior.
Com capacidade instalada para 125 milhões de peças/ano, a Fras-le operou com ociosidade na casa dos 35%. Produziu 82 milhões de unidades, recuo de 13,%. A maior queda, de 24%, foi registrada na linha de pastilhas para freios, com 20 milhões. Já a produção de blocos para veículos pesados declinou somente 4%, para 44,2 milhões de unidades. Por conta deste quadro o volume em tonelagem cedeu 4%, para 54,9 milhões de toneladas. A empresa ainda produziu 17,6 milhões de outros produtos, queda de 20%. A produção foi menor que o volume vendido em função da estratégia do primeiro semestre de ajustes dos estoques às demandas do mercado.
Embora as questões de mercado e de câmbio, a Fras-le elevou suas exportações em 1,7%, para quase R$ 182 milhões, aumentando em um ponto, para 42%, sua participação na receita líquida consolidada. No segmento de reposição houve incremento de 1%, enquanto nas montadoras a queda chegou a 27,4%. Com isto a participação do mercado original nas exportações perdeu participação de 31,4% para 24,9%.
Mais de 50% das vendas externas ocorreram nos Estados Unidos, com crescimento de 4,2% sobre o consolidado em 2008. No mercado de reposição, responsável por 42% do total, o incremento foi de 8,9%. Já nas montadoras o registro é de queda de 12,5%. Juntando os demais países integrantes, a região do Nafta respondeu por 62% das vendas externas, quatro pontos acima do realizado em 2008.
As exportações também avançaram nos países do Mercosul na ordem de meio ponto porcentual, para 13%, mas caíram fortemente na Europa, menos de 6% do total, com perda de quase três pontos. Nos demais mercados houve estabilidade.
No mercado doméstico a receita com reposição cresceu 8%, para quase R$ 166 milhões, e três pontos, para 38,7% de participação no faturamento interno. Nas montadoras houve declínio de 20%, para R$ 81 milhões.
Para 2010 a expectativa da companhia é de recuperação, situação já confirmada no primeiro bimestre. A Fras-le trabalha com crescimento de 10% na receita líquida, para mais de R$ 470 milhões. Além da retomada interna a empresa aposta na consolidação das operações na China e nos Estados Unidos. Na China, que desde o segundo semestre de 2009 se concentra em lonas para freios, é projetado o início da produção de pastilhas para veículos comerciais. A estimativa é de alcançar exportações na casa de US$ 88 milhões, em alta de 9% sobre o consolidado em 2009.
A diretoria definiu investimentos na ordem de R$ 38 milhões, bem acima dos R$ 28 milhões do ano passado, quando houve recuo de 49%.
Fonte: www.ocaxiense.com.br, texto de Roberto Hunoff
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