
Câmara lotou para ato
14/03/2010
Uma série de atividades realizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul e a CTB nesta sexta-feira (12) serviram para lembrar a repressão policial que chocou Caxias e teve repercussão nacional no dia 12 de fevereiro, quando os trabalhadores da Randon e sindicalistas foram agredidos e presos ao fazerem uma assembleia na frente da empresa, na qual reivindicavam um acordo para revisão dos valores do PPR (Programa de Participação nos Lucros).
Além da realização de uma exposição fotográfica itinerante, o Sindicato definiu por mudar o nome do jornal da entidade, que agora passou a se chamar "12 de Fevereiro - o jornal dos metalúrgicos", tudo isso para marcar a data, que tornou-se um símbolo da resistência dos trabalhadores de Caxias. "Este 12 de fevereiro de 2010 entrou para a história de lutas da categoria e os trabalhadores de Caxias. Já é um símbolo da resistência e da luta dos metalúrgicos por justiça e pela valorização que os trabalhadores merecem, também queremos que fatos como os deste dia não sejam esquecidos, para que não mais se repitam", salientou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos e vereador do PCdoB, Assis Melo.
Na opinião do Sindicato os fatos lamentáveis ocorridos no dia 12 de fevereiro, além de demonstrarem a postura truculenta da Randon, revelaram mais uma vez a maneira com que a polícia no RS sob o comando da governadora Yeda Crusius (PSDB) age, ao criminalizar os movimentos sociais.
Assembleias em porta de fábrica e ato de solidariedade
Desde a madrugada na sexta-feira os trabalhadores estavam mobilizados, e a primeira assembleia do dia foi justamente na Randon Implementos. O Sindicato apresentou o novo jornal para os trabalhadores, cuja edição resgata a história do movimento por justiça no PPR da Randon, e inaugurou a exposição: "12 de Fevereiro, um dia para não ser esquecido".
A assembleia em frente à Randon também serviu para informar os trabalhadores sobre os encaminhamentos realizados pela entidade na tentativa de fazer com que a empresa reconheça que deve rever os valores da participação nos lucros. O presidente do Sindicato, Assis Melo, lembrou os trabalhadores que o caso está sendo tratado na Justiça do Trabalho já que a empresa mantém postura intransigente e não aceitou negociar.
À tarde as assembleias continuaram na Mundial, às 15h e novamente na Randon, com os trabalhadores que entravam para o turno da noite, às 17h.
Repúdio
No final do dia ocorreu o "ato de solidariedade aos trabalhadores da Randon e contra a criminalização dos movimentos sociais" na Câmara de Vereadores. O evento contou com a presença de diversas lideranças de trabalhadores do estado e políticos, como o deputado estadual Raul Carrion (PCdoB) e o deputado federal Pepe Vargas (PT).
O presidente da Federação dos Metalúrgicos do RS, Miltom Viário, condenou a repressão policial e a postura "feudal" da Randon. Já o vereador Elói Frizzo (PSB), lembrou de outros fatos semelhantes ocorridos na Randon, como em uma greve em 1985, também marcada pela repressão aos trabalhadores.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Porto Alegre, Claudir Nespolo, chamou a atenção para o problema dos interditos proibitórios que acabam limitando o direito de greve dos trabalhadores. Citou o PL 513, de autoria do Senador Paulo Paim, que está em discussão no Congresso. "Queremos aprovar uma Lei que assegure o direito de manifestação dos trabalhadores e acabe com essa aberração dos interditos", disse.
Outro que compareceu para prestar solidariedade aos trabalhadores foi o vice-presidente nacional da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Nivaldo Santana. Para ele o que ocorreu em Caxias foi uma afronta a democracia. Santana também condenou os interditos e lamentou a postura da polícia militar gaúcha, que, segundo ele, lembra os períodos "mais tristes da ditadura". Para ele a governadora Yeda tem responsabilidade no que aconteceu. Assinalou que essa conduta de criminalizar os movimentos sociais tem marcado os governos do PSDB também em Minas Gerais e São Paulo.
O deputado Raul Carrion evocou toda a luta histórica contra a ditadura no Brasil para defender os direitos democráticos e de manifestação dos trabalhadores que, segundo ele, não podem ser simplesmente ignorados como ocorreu em Caxias. Carrion lembrou de outros fatos ocorridos na história recente do estado que revelam a postura truculenta do aparato policial que está serviço de um projeto que "não serve aos interesses do povo".
Pepe Vargas informou que nos próximos dias deve ocorrer uma audiência em Caxias com a comissão de direitos humanos da Câmara Federal. O deputado sugeriu ainda uma denúncia junto aos órgãos internacionais de direitos humanos, considerando a gravidade dos fatos ocorridos no dia 12.
Outro reforço de peso no ato foi a presença de lideranças metalúrgicas do país: o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Betim e Região, Marcelino da Rocha, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de janeiro, Alex dos Santos e o presidente da federação dos metalúrgicos da Bahia, Aurino Pedreira, todos da CTB.
Marcelino comparou os fatos de Caxias com a repressão sofrida pelos trabalhadores da Fiat no ano passado. "Trazemos aqui a nossa solidariedade aos metalúrgicos de Caxias e ao nosso companheiro Assis. Os trabalhadores tem que ter o direito de se manifestar contra a injustiça", afirmou.
"Nunca ouvi falar de um operário que tenha nascido no chão da fábrica, porém mais de 500 mil morrem todo o ano no chão da fábrica, vítimas de acidentes, isso segundo os números oficiais". Segundo ele, são esses mesmos trabalhadores que enfrentam as más condições de trabalho e baixas remunerações que, quando chega o momento da divisão dos lucros exorbitantes das empresas, acabam novamente sendo arrochados.
Alex e Aurino reforçaram a solidariedade das categorias metalúrgicas do Rio e da Bahia. Segundo eles, o 12 de fevereiro entrou não só para a história das lutas de trabalhadores de Caxias, mas do Brasil todo.
Emoção e indignação
Na abertura do ato foram exibidas imagens do dia 12, com cenas da repressão protagonizada pela BM. Trabalhadores sendo espancados e presos, mulheres machucadas, bombas de gás, e pancadaria. O presidente da CTB RS, Guiomar Vidor, que coordenava o evento, com a voz embargada assinalou: "Não é preciso dizer nada, após ver essas imagens".
O presidente do Sindicato, Assis Melo, fez um longo discurso, no qual denunciou a perseguição sofrida e a humilhação a qual foi submetido, ao ser preso, algemado e levado a um posto policial no qual ficou por horas sentado em um banquinho.
Melo resgatou todos os dias do movimento - os que precederam o 12 de fevereiro e os subsequentes. Desde o dia 8 de fevereiro quando a direção do Sindicato visitou a empresa na tentativa de se chegar a um acordo. As sucessivas negativas da Randon nos dias seguintes. A tensão e os horrores do dia 12. As determinações da Justiça do Trabalho local que praticamente determinavam o fim da greve e depois a vitória no TRT em Porto Alegre que reconhecia o direito de manifestação dos trabalhadores; e o momento da decisão pelo fim das paralisações, que o sindicato considera que se deu no momento certo, já que a empresa demonstrara em diversos momentos que não iria mesmo negociar. "Eles que fiquem com a marca da intransigência", comentou Leandro Velho, vice-presidente do Sindicato. "A Randon não cedeu, mas também não ganhou nada com isso, aliás só perdeu, pois mostrou a sua verdadeira face", complementa Velho.
Exposição itinerante
Para marcar um mês do dia 12 de fevereiro, quando a Brigada Militar agrediu trabalhadores e prendeu líderes sindicais que protestavam por justiça no PPR da Randon, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Caxias do Sul e Região lançou uma exposição fotográfica. Chamada de "12 de Fevereiro: Um dia para não ser esquecido", a mostra reúne algumas das imagens mais marcantes flagradas durante os 14 dias de manifestações nas proximidades da Randon e principalmente do dia 12 de fevereiro.
A exposição, que conta com imagens feitas pelo fotógrafo Marcio Schenatto, será itinerante. Inicialmente será mostrada nas assembleias nas portas de fábrica, acompanhando a distribuição do jornal, depois será colocada em alguns locais públicos da cidade.
Assessoria
Nome:
Anônimo
Comentário: Depois das fotos e dos videos, só temos que agradeçer pela bravura e unidade de luta desta categoria. Se choramos hoje não é por covardia mas sim por saber que estes homens e mulheres são merecedores de todas as palmas e exaltações de todas as categorias…
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