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Mães não padecem no paraíso

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O tão famoso ditado: ser mãe é padecer no paraíso não é real. O que faz acreditar que exista o paraíso é o amor incondicional da mãe por seu filho. É olhar para aquele pequeno ser e ver nele a pureza da alma, é enxergar nele o seu melhor lado, é sonhar um mundo de possibilidades e perspectivas pra aquele que um dia se tornará um homem ou uma mulher. Não há palavras que possam definir a imensidão do amor de uma mãe. Talvez isso faça o senso comum crer no paraíso da frase. Porém, ele não existe!

Ser mãe é lutar e resistir contra situações adversas desde o resultado “positivo”. Dupla ou tripla jornadas, insalubridade na gestação, falta de creches, educação precária, desigualdades sociais.

 

Reforma Trabalhista

Desde 2017, as gestantes passaram a sofrer as maldades de uma lei que deixa o seu bebê, ainda no ventre, ameaçado pelos ambientes insalubres de uma fábrica. O que era vedado pela Consolidação das Leis do Trabalho – CLT -, passa a valer a partir de novembro, quando a reforma trabalhista foi aprovada: gestantes e lactantes não são mais preservadas da insalubridade. Através da mãe, o feto fica exposto a agentes contaminantes do adoecimento. “Na campanha salarial deste ano, vamos lutar para que tenhamos a proibição total de gestantes em locais insalubres para que em breve não tenhamos os reflexos dessa exposição que não serão nada bons. Não queremos ver uma geração nascer doente. Por isso, sempre fomos contra essa reforma”, afirma o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani.

 

Creches

Caxias do Sul começou o ano letivo com milhares de crianças na fila de espera em escolas de educação infantil. A maioria na faixa etária de 0 a 3 anos. Uma questão que retira as mulheres do mercado de trabalho.

Outra reivindicação do Sindicato dos Metalúrgicos na campanha salarial deste ano são as creches nas empresas em turno integral. A disponibilidade de vagas para filhos de trabalhadores e trabalhadoras nas dependência ou proximidades das empresas. “Como as mães conseguem trabalhar sem ter onde deixar seus filhos em segurança? Precisamos que essas mães tenham a tranquilidade para trabalhar, sabendo que seus filhos estão bem e próximos delas”, ressalta Monsani.

A questão do auxílio-creche também será debatida. Um ponto a ser reivindicado é o de que as empresas devem dar o auxílio aos dependentes dos trabalhadores, não havendo diferenciação entre o pai e a mãe.

 

Tripla jornada

A correria inicia muitas vezes ainda antes de amanhecer. O despertador toca e é preciso organizar o café da manhã, acordar os filhos, fazer o lanche e o almoço, levá-los para escola. Segue para o trabalho, realiza suas atividades, bate o ponto. Volta para casa e os afazeres domésticos a esperam: louça e roupas para lavar, fazer o jantar, encaminhar o almoço do dia seguinte, dar banho nas crianças, colocá-las pra dormir, um pano no chão, tirar o pó.

A sociedade, ainda machista, descarrega na mulher e, consequentemente, nas mães, as obrigações do lar. Dados da Organização Internacional do Trabalho – OIT – apontam que as mulheres trabalham, em média, o dobro que os homens nas atividades domésticas.

“Precisamos reverter esses quadros que dificultam a vida das mães. Tanto na questão de políticas públicas como as vagas em escolas infantis, como a questão de dividir o trabalho doméstico. Nosso papel não é mais só de ‘ajudar’. Nosso papel é de dividir. A sociedade avança quando promove os direitos da mulher e quando reconhece e valoriza a maternidade”, conclui o presidente.

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