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Metalúrgicos de Caxias aprovam reajuste acima do INPC e garantia dos direitos sociais até 2018

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Após mais de quatro meses de intensa negociação, luta e mobilização dos metalúrgicos de Caxias e região, a assembléia geral da categoria, ocorrida neste sábado (28), aprovou a proposta para definição da campanha salarial de 2017: o reajuste ficou em 4% sobre os salários à partir de agosto (sendo que a inflação para a data-base, de 1º de junho, foi de 3,34%). Também foram garantidas as cláusulas sociais dos metalúrgicos, o que significa uma barreira no acordo coletivo  da categoria para alguns aspectos da reforma trabalhista, como a jornada, que é 44 horas, sem trabalho aos sábados – o que for acima disso é adicional de hora-extra.

O reajuste de 4% – com 0,6% de aumento real – está entre os mais altos do país no setor dos metalúrgicos, sendo superado apenas pela base de Camaçari, na Bahia, que obteve 1% de aumento real.

O assessor econômico do Sindicato, David Fialkow, ressaltou que a proposta é boa neste momento. O índice , segundo ele, garante o INPC e aumento real em um período que a maioria das categorias profissionais enfrentam dificuldades para atingir a inflação e manter seus direitos. “Os reajustes neste ano ficaram pressionados devido às incertezas na economia e o risco de desemprego, fatores que influenciam na mesa de negociações”, afirmou.

 

Cláusulas sociais: metalúrgicos mantém direitos conquistados há décadas

Em tempos de reforma trabalhista e ameaças aos direitos dos trabalhadores, uma vitória importante neste ano foi a garantia de que as conquistas sociais dos metalúrgicos, como o adicional de horas-extras e a jornada de trabalho, não serão mexidos até a próxima negociação, em 2018. São direitos assegurados no acordo coletivo que barram alguns dos retrocessos da reforma trabalhista de Temer, esta que entrará em vigor neste mês de novembro.

“Além luta pelo reajuste, nos mobilizamos pela manutenção dos empregos e dos direitos conquistados ao longo de muitos anos pela categoria. Diante das ameaças da reforma trabalhista, garantir a manutenção destes direitos sociais pode ser considerado como uma importante vitória”, salienta Claudecir Monsani, presidente do Sindicato.

Outra conquista assegurada na negociação deste ano foi a cláusula que estabelece a validade do acordo coletivo por até quatro meses após a data-base (1º de junho) no próximo ano, ou seja, até 30 de setembro de 2018. O objetivo é que, caso a negociação perdure por mais tempo, a categoria mantenha suas conquistas sociais resguardadas até a assinatura do próximo acordo.

Quanto ao Artigo 60 da CLT, que dispõe sobre a carga horária em local insalubre -que não pode ser superior às 8h diárias – ficou acertado no acordo que não haverá mudança em relação ao padrão adotado atualmente nas empresas, ou seja, o trabalho continuará sendo realizado somente de segunda à sexta-feira. O Sindicato garantiu assim a manutenção do período de lazer e descanso do trabalhador junto da sua família.

 

Ampliar a luta pela revogação das reformas de Temer

O presidente do Sindicato, Claudecir Monsani, fez um alerta sobre a necessidade de mobilizar a categoria e os trabalhadores em geral contra as reformas.

No próximo dia 10 de novembro, está sendo chamada uma grande mobilização no Brasil pela revogação da reforma trabalhista, que entre em vigor no dia 11 de novembro, e contra a reforma da previdência que está no Congresso e pode ser votada a qualquer momento.

 

Sindicato forte

Outra questão que Monsani ressaltou foi a necessidade de unir cada vez mais os trabalhadores e as trabalhadoras em prol de um Sindicato forte e representativo, já que a reforma trabalhista vem para aniquilar direitos e enfraquecer a organização dos trabalhadores.

“A mídia e os patrões fizeram o trabalhador acreditar que deveria-se acabar com a contribuição sindical da classe trabalhadora. Porém, eles, os patrões, seguirão contribuindo com o Sindicato patronal (o deles), que se manterá forte. Com a entidade de classe dos metalúrgicos enfraquecida quem vai ganhar?”, questionou Monsani.

 

Algumas das cláusulas sociais dos metalúrgicos, asseguradas no acordo:

 

– Jornada de trabalho de 44 horas semanais, de segunda à sexta

– Horas-extras com 50% de adicional até 22h mensais, 100% de 23h a 60h mensais e 130% nas horas excedentes às 60h mensais

– Licença maternidade de 180 dias pelo programa Empresa Cidadã

– Percentual de desconto no transporte de 3,5%

– Quinquênios

– Estabilidade de 12 meses na pré-aposentadoria

– Auxílio-creche ate os 5 anos da criança

– Piso mínimo da categoria profissional

– Intervalo de 1h para o almoço

Ao todo, são mais de 80 cláusulas que compõem o acordo coletivo dos metalúrgicos. São direitos que vêm sendo conquistados ano após ano, a cada campanha salarial, e que trazem mais dignidade aos trabalhadores e suas famílias.

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