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Metalúrgicos de Caxias do Sul aprovam acordo de reajuste acima da inflação

Ampla maioria votou favorável ao índice de 5,28%Ampla maioria votou favorável ao índice de 5,28%

Em uma assembleia com auditório totalmente lotado na manhã deste sábado, 03 de agosto, os metalúrgicos de Caxias do Sul e região aprovaram, por ampla maioria, o reajuste de 5,28% nos salários com base em 1º de julho. Esse reajuste significa 0,5% de aumento real nos salários. Somente dois dos presentes votaram contra a proposta.
“Não podemos, como dirigentes sindicais, sermos aventureiro e nem colocar a categoria a perder. Precisamos ter a sensatez disso”, reforçou o presidente do Sindicato, Assis Melo, relembrando que as assembleias em portas de fábricas estão ocorrendo desde fevereiro e que a grande maioria dos sindicatos do país não conseguiu índice acima da inflação.

Em um momento difícil para os trabalhadores, no qual grande parte das categorias profissionais no país não conseguiram fechar acordos acima da inflação, pode-se considerar um resultado bastante positivo o índice dos metalúrgicos de Caxias, este que foi o maior em termos de aumento real entre os metalúrgicos do RS neste ano.

NOSSA LUTA NÃO PARA

Uma prioridade para o Sindicato tem sido lutar pela recuperação do poder de compra dos salários e da renda da família metalúrgica. Essa luta vai continuar em caráter permanente já que, além do índice de reajuste no acordo coletivo, as negociações que envolvem participação nos lucros das empresas, bem como as cláusulas sociais da Convenção Coletiva, como auxílio-creche, desconto menor no transporte, adicional de horas extras, trazem vantagens que agregam na renda da categoria e que necessitam ser defendidas pelo Sindicato. “São conquistas que a nova Lei Trabalhista não garante. Por isso a representação sindical e a Convenção Coletiva dos metalúrgicos e metalúrgicas é tão importante, e necessita de um sindicato cada vez mais forte para defende-la”, alertou o presidente do Sindicato, Assis Melo.

Neste ano, as cláusulas sociais da Convenção Coletiva não foram objeto de negociação porque no acordo de 2018 elas ficaram valendo por dois anos.

MUITOS PERIGOS VÊM POR AI E EXIGEM NOSSA UNIÃO

Os direitos dos trabalhadores estão sob ataque, desde a reforma Trabalhista de Temer, em 2017. De lá pra cá, estamos vivendo período de resistência frente aos retrocessos.

Está ai a reforma da Previdência, que praticamente acaba com a aposentadoria digna; a MP 881, da chamada “Liberdade Econômica”, que significa mais uma retirada de direitos e acaba até com as CIPAS em muitos casos; a liquidação de normas de segurança no trabalho, como a NR 12 que estipulava mecanismos de segurança em máquinas e equipamentos; a armadilha da MP 889, na qual ao você sacar R$ 500 do FGTS e optar pelo calendário de saque aniversáriou, fica por dois anos sem poder ter acesso a multa dos 40% caso venha a ser demitido, além de diminuir recursos de investimento em habitação popular para trabalhadores de baixa renda; tudo isso sem falar na destruição sem precedentes que está ocorrendo na Petrobrás, praticamente entregue ao capital internacional; a desindustrialização do Brasil, que amarga uma estagnação econômica e de investimento produtivo; e o sucateamento do SUS, que pode acabar, assim como a destruição da educação pública.

“Todos esses são temas sobre os quais temos que nos preocupar o mobilizar. Só a união e a luta coletiva são capazes de enfrentar todos esses perigos! Para isso, um sindicato forte, com a participação de todos é fundamental”, acentuou Assis.

UMA NOVA CAMPANHA DE SÓCIOS

Assis também anunciou um plano ambicioso, para um profundo reposicionamento do Sindicato para os próximos anos. Segundo ele, é uma imposição dos novos tempos, “encontrar a sustentabilidade diante dos efeitos da reforma Trabalhista, que visa enfraquecer as entidades sindicais”. Ele acrescenta que a chamada quarta revolução industrial também traz novos e grandes desafios para a classe trabalhadora. “Precisamos de um Sindicato mais moderno, ágil, acolhedor, horizontal e representativo. Que possa dar resposta às novas exigências da luta pela emancipação da classe trabalhadora”, disse.

Uma nova campanha de sócios, com duas modalidades de associação para metalúrgicos, e a possibilidade de desempregados e trabalhadores de outras categorias se associarem será executada nas próximas semanas.

“Nosso objetivo é ampliar nossa unidade com a categoria e todos os trabalhadores que necessitam de acolhimento e representação nesses novos tempos”, concluiu.

Foto: Maurício Concatto