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Ministério do Trabalho interdita setor da Marcopolo/AnaRech

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Na tarde desta segunda-feira (03), o Sistema Federal de Inspeção do Ministério do Trabalho determinou a interdição de todas as atividades realizadas no setor 411 da Marcopolo/Ana Rech. Em inspeção no setor de Montagem de Casulo, os Auditores Fiscais do Trabalho constataram irregularidades que caracterizam existência de grave e iminente risco de acidentes fatais e de acidentes que podem gerar incapacidade permanente ou temporária para o trabalho. A interdição compreende todas as atividades (soldagem, esmerilhamento, inspeção de qualidade, etc) que não possam ser realizadas a partir do nível do solo nos dois postos de montagem existentes no setor (veículos rodoviários leves e veículos rodoviários pesados).

No Relatório Técnico de Interdição consta riscos encontrados no desempenho de tarefas de soldagem, esmerilhamento e controle de qualidade em pontos altos dos casulos que não podem ser acessados a partir de plataformas existentes. Para alcançar esses pontos, os trabalhadores sobem sobre a estrutura dos casulos, equilibrando-se sobre perfis e tubos metálicos sem o uso de qualquer sistema de proteção. Em diversas situações, esses trabalhadores movimentam-se sobre os tubos e perfis metálicos a mais de 2m de altura em relação ao piso do pavilhão. Verificou-se também soldadores-montadores realizando a solda de componentes da parte frontal e traseiras dos veículos em alturas superiores a 2,20m em relação ao piso, apenas se agarrando com os braços na estrutura do casulo para não caírem. Os trabalhadores precisam, ao mesmo tempo, manusear os equipamentos de solda e se segurarem para não cair. Nesses locais, não há utilização de qualquer meio de captura de queda.

Ainda segundo o Relatório, nos últimos anos foram emitidas 65 comunicações de acidentes de trabalho relativas a ocorrências no setor 411 da Marcopolo (13 comunicações em 2012, 13 também em 2013, 14 em 2014, 11 em 2015 e 14 até junho de 2016). A Marcopolo tem até 10 dias para recorrer da interdição. A empresa poderá requerer a suspensão da interdição após adoção das medidas de proteção da segurança e saúde do trabalhador indicadas no relatório técnico. Enquanto houver a interdição, os trabalhadores não terão ônus de seus proventos.

 

Cipa alertou gestores

O presidente em exercício do Sindicato dos Metalúrgicos, Claudecir Monsani, conta que a direção do Sindicato, em conjunto com os cipeiros, alertaram a empresa sobre os riscos que os trabalhadores estavam expostos. “Estamos tentando resolver esse problema há um longo tempo, alertando os responsáveis da empresa sobre os problemas dessa área e de outras,  mas, infelizmente, não resolveram nada. Então, chegou ao ponto da necessidade de intervenção pelo Ministério do Trabalho para que assim se tome as devidas providências”, comenta o presidente.

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