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Mulheres são sinônimo de resistência no terrão do futebol de várzea

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Quem acha que o terrão da várzea é ocupado apenas por homens está enganado. As mulheres têm conquistado seu espaço nas quatro linhas do futebol amador pelo Brasil. Sem treinamento ou investimentos, o amor pelo esporte é a principal motivação para elas, sentimento também impulsionado nos últimos anos pela ascensão da seleção brasileira feminina. Até o surgimento da atacante Marta, cinco vezes eleita melhor do mundo e sucesso na Europa nos padrões do futebol masculino, o esporte era desprezado pela mídia tradicional.

Fora dos holofotes, sem apoio das federações esportivas e longe do dinheiro de patrocinadores, as dificuldades são inúmeras. Num grupo de WhatsApp com mais de 70 times do estado de São Paulo, campeonatos informais são combinados. Treinos são raros, pois algumas não têm condições de ir, pois além de pagar a condução com o próprio dinheiro, precisam achar um tempo livre entre trabalho e estudo.

Apesar das barreiras, vestir o uniforme de seu time nos finais de semana alimenta o sonho de ver o futebol feminino cada vez mais valorizado. “A gente não liga muito para a desvalorização. É um hobby, um prazer jogar e fazer amigos em campo. Por pequeno que seja, isso já é um grande passo. Na nossa cidade, em Embu-Guaçu, nunca teve um time feminino de várzea, mas somos as primeiras e ganhamos a simpatia de muita gente”, conta Keila Galdino, de 26 anos, atleta e integrante da comissão técnica do Luvence Futebol Clube, que trabalha como auxiliar de cozinha.

Segundo a atleta, as mulheres têm conquistado mais espaço. E se têm dificuldade de encontrar horários livres em alguns campos para marcar jogos, em outros elas já são prioridade. “Hoje existem muitas pessoas empenhadas em fazer o futebol feminino crescer. A gente vai devagar, só jogando futebol, sem brigas, com todos os times se respeitando”, afirma.

Já o treinador do time feminino de várzea do Água Santa, de Diadema, no ABC paulista, Adiel Mendes, acredita que sua equipe pode seguir os mesmos passos do profissional masculino, que abandonou o terrão e chegou à elite do campeonato paulista, em 2016.

O bom trabalho de 2017 das meninas do Água Santa foi premiado com o título da 1ª Copa Libertadores da Várzea. O treinador espera que o resultado atraia investimento por parte da direção do clube.

“Organizar um time feminino é muito difícil, tenho que ser parceiro delas o tempo todo para entender a dificuldade de cada uma. Precisamos de ajuda, os clubes têm que valorizar. Comecei a trabalhar nesse projeto sem recurso, salário e apoio. Conseguimos fazer um bom trabalho em 2017 e vamos ver o que o clube fará. Se eles investirem no nosso feminino, viraremos uma potência”, diz.

Aos 26 anos, Keila não acredita em chegar à seleção, mas afirma que a falta de apoio não diminui o sonho das atletas de se profissionalizar. “Com mais campeonatos e divulgação as meninas serão vistas e podem chegar na seleção”, acrescenta.

RBA

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