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Na luta por seus direitos, trabalhadores e trabalhadoras da Microinox paralisam atividades

Nesta segunda-feira, 20 de abril, mais de cem trabalhadores se reuniram em frente a Microinox para cobrar o pagamento completo para os 118 demitidos na semana passada. A empresa, em recuperação judicial, propõe o parcelamento das rescisões, sem garantias e homologação no Sindicato.
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O líder operacional, Edgar dos Reis, trabalhou por 20 anos na Microinox e é um dos desligados. Ele, assim como os demais trabalhadores, questiona: “Querem que assine um acordo sem garantia nenhuma, sem homologar no Sindicato, sem acordo judicial, com parcelamento das rescisões. Que garantia temos que vamos receber?”
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“Nosso intuito aqui (na paralisação) é mostrar quantas pessoas foram demitidas e da maneira que foram desligadas: ou aceita o acordo ou vai buscar na Justiça. Isso é uma injustiça”, desabafou o fresador ferramenteiro, Altur Camargo, que trabalhou 17 anos na Microinox.
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Em apoio aos colegas e também reivindicando seus direitos, Genevar Signor, foi demitido em dezembro de 2016. O encarregado líder teve sua rescisão parcelada em 16 vezes. Recebeu 4. “Nunca mais pagaram. Renegociei em 2017, mas não recebi mais nada”, afirmou.
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Signor conta que na ocasião de sua demissão, foram 6 demitidos e a situação é a mesma. “Nenhum de nós recebeu”.
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 Demissões, o motivo
A crise mundial de saúde, consequentemente econômica, não é o motivo para as demissões. Segundo alguns trabalhadores, há cerca de três anos a empresa não dá lucro. Já outros afirmam que no último mês havia o faturamento de dois milhões. A pergunta entre eles é: “onde está esse dinheiro?”
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“Aproveitaram a oportunidade, com a desculpa da crise pelo coronavírus, para fazer o que eles queriam fazer”, acredita Edgar.
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Acordo
O Sindicato, na luta com os trabalhadores e trabalhadoras, ressalta que a proposta de parcelamento não é aceita.
“Já temos experiência com a questão dos parcelamentos. Há exemplos na cidade e a própria Microinox é um. As empresas parcelam e pagam algumas parcelas e depois não pagam mais. É consenso na direção de não aceitar parcelamento de rescisão”, ressaltou o diretor de Comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos, Beto Osório.
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O Sindicato apresentou proposta à empresa. A suspensão das demissões e a utilização do financiamento governamental, onde o Governo paga, em média, 80% do salário e a empresa 20%. A Microinox não aceitou.
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#direitostrabalhistas