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O fascismo pós-moderno no Brasil de Temer

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O pós-modernismo apresenta-se em vários matizes e manifesta-se em vários quadrantes ideológicos. Enquanto ideologia dominante, fragmentária e sem uma finalidade expressa, atua contudo no mesmo terreno (ideológico) daquelas que se afirmavam através de uma narrativa histórica e acabará por influir determinadamente nos processos sociais contemporâneos.

Por Alexandre Weffort*

Constituindo uma forma hegemônica de ideologia, numa fase da História de que apregoava o fim, o pós-modernismo exibe as contradições que marcaram o momento de globalização da sociedade capitalista. Negando a possibilidade de progresso histórico, o pós-modernismo constituiu-se na forma hegemônica de pensamento que nega a possibilidade de uma transformação revolucionária da sociedade. Este ficou sendo o seu traço essencial.

Ideologia fragmentária, assumidamente desprovida de um sentido de finalidade histórica, o pós-modernismo procura dissolver as contradições pela manutenção de uma tensão constante dos opostos. A pós-modernidade assumiu o discurso que apregoava o fim da História e o fim das ideologias, constituindo uma expressão genérica da ideologia dominante que procura dissolver, numa relação polarizada mas estéril, as contradições de um pensamento de esquerda que, ciente da causa económica das desigualdades sociais, aceita a manutenção das premissas da sociedade de classes.

Assume, todavia, a necessidade de reconhecimento do ‘outro’ (essa será uma das características mais relevantes para o movimento de massas: a valorização da presença política das minorias marginalizadas). Mas a forma enfática dada à condição de ‘ser diferente’ conduz à desconsideração das condições histórico-sociais que produziram as diferentes minorias. A desigualdade passa, de circunstância socialmente imposta, à condição genética de uma certa identidade.

As condições materiais e técnicas que marcam o atual estádio de desenvolvimento tecnológico colocam a comunicação como vetor da globalização e determinam ser este o terreno em que se disputa a hegemonia ideológica.

A mídia surge como o 4º poder. Em contrapartida, a tecnologia da comunicação proporcionará as condições materiais para o surgimento de um espaço de manifestação contra-hegemônica nas chamadas “redes virtuais”.

É neste terreno que se irá produzir o combate político que conduzirá à afirmação política de Temer. Por um lado, deu-se a fragmentação do suporte institucional da ação política dos governos Lula e Dilma, isto é, a diluição da sua identidade ideológica como consequência das infindas alianças exigidas pelo jogo político (não esqueçamos que Meirelles e Temer foram aliados de Lula e Dilma). Por outro, o sistema partidário mergulhou na fragmentação ideológica, assumindo os interesses momentâneos e, em muitos casos, os interesses pessoais, como os únicos vetores da sua existência. A corrupção é o traço mais marcante da nossa pós-modernidade política!

Se o pós-modernismo, enquanto conglomerado de posições que marca o pensamento ideológico dominante hoje, se pôde afirmar como pensamento hegemônico, tal se deveu às condições históricas existentes, às contradições acumuladas no processo de desenvolvimento económico e social à escala global. Mas, porque esse é o seu traço essencial (a não resolução da tensão entre opostos), a ideologia dominante na pós-modernidade não permite, nem vislumbra, qualquer caminho novo. Impõe-se pela ausência de perspectiva.

Nascido da necessidade de negação das ideologias ditas “totalitárias”, das meta-teorias que buscam, como o marxismo, um entendimento abrangente da realidade nas suas múltiplas dimensões, e consolidado no reconhecimento da historicidade da filosofia e das ciências, o pós-modernismo deu, por sua vez, lugar a uma nova forma de totalitarismo.

O apregoado final das grandes narrativas históricas abriu, por sua vez, uma nova narrativa que tem por princípio estruturante o caos e a fragmentação, extrapolando à categoria social descobertas realizadas no âmbito da física, da matemática, da astronomia, narrativa que se afirma hoje à escala global e em forma totalitária.

Esta nova narrativa, que se caracteriza pela consideração das tensões como permanentes, sem resolução nem finalidade, pela imposição da fragmentação às esferas da organização social, da economia, da educação e da cultura, tem hoje, como expressão histórica no Brasil, o governo Temer.

É com Temer que se produzirá a fragmentação da economia brasileira e a alienação das riquezas nacionais. Com ele se afirmará a ideologia da “escola sem partido” e se praticará a perseguição aos professores progressistas, para citar um dos incontáveis episódios repressivos praticados pelo Estado brasileiro contra os seus cidadãos.

É com Temer que voltaremos a ver o Exército a ser utilizado como símbolo do Poder político, colocando Brasília sob o controle das tropas nas ruas aquando da mobilização sindical e popular contra as reformas. E será com Temer que veremos a questão da ditadura militar ressurgir na boca de um general no ativo que, não sendo acompanhado pela hierarquia nessa sua ambição, também não é por ela sancionado pela indisciplina revelada (fica pela tensão permanente, sem resolução, bem ao gosto pós-moderno).

A ditadura militar surge no imaginário político como um argumento contra a corrupção. Falso argumento, é a forma acabada de manifestação do ideário fascista. O momento histórico atual no Brasil, com Temer no poder, exprime essa contradição: a corrupção assentou arraiais em políticos que assumem o rótulo de “democrata”, mas que apresentam como saída (em ameaça por vezes veladas, outras abertas) a intervenção militar. É o fascismo pós-moderno no Brasil de Temer.

Contra ele há que reagir em todas as frentes, afirmando a necessidade e validade dos projectos revolucionários. Denunciando a natureza insidiosa da corrupção, mesmo aquela que se vai manifestando a nível ideológico, por via da fragmentação dos ideais (explorando as contradições próprias dos processos históricos vivos). Porque, contrariamente ao que apregoam os arautos da pós-modernidade, nem a História acabou nem o marxismo deixou de constituir uma ferramenta válida e essencial ao conhecimento e à intervenção na realidade.

*Alexandre Weffort é professor, mestre em Ciência das Religiões e doutorando em Comunicação e Cultura.

Fonte: Portal Vermelho

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