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País tem mais beneficiários do auxílio emergencial do que trabalhadores formais

A crise econômica, agravada pelo bolsonarismo e pela pandemia, provocou um cenário desalentador no mercado de trabalho brasileiro. Conforme levantamento do Poder360, o País tem hoje 65,4 milhões de pessoas que recebem o auxílio emergencial – mas somente 37,7 milhões de trabalhadores formais (com carteira assinada). Em 25 estados, o número de beneficiários do auxílio supera o de empregados formalizados – as únicas exceções são Santa Catarina e Distrito Federal.

“Os indicadores econômicos revelam que o Brasil beira uma depressão e apontam o tamanho do drama social em que o País está mergulhado”, afirma Adilson Araújo, presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil). O sindicalista critica a política ultraliberal que domina o Ministério da Economia, sob as ordens do ministro Paulo Guedes.

Com a crise, nada menos que 68% da força de trabalho no Brasil está recebendo o auxílio emergencial. Hoje, essa força de trabalho – que inclui empregados e desempregados – abrange 96,1 milhões de trabalhadores. Dez estados contam até com mais benefícios do Bolsa Família do que vagas preenchidas de emprego formal.

O cenário mais crônico é o do Nordeste, onde 21,3 milhões de moradores recebem o auxílio emergencial e apenas 6,3 milhões têm carteira assinada. Nos nove estados nordestinos, há pelo menos três vezes mais beneficiários do auxílio do que trabalhadores formais.

“Paulo Guedes e sua equipe econômica precisam pedir para sair. A sua receita para a grave crise sanitária e econômica – a agenda de redenção ao mercado e de privatizações – está levando o País para o fundo do poço”, diz Adilson. Ele lembra que até mesmo o trabalho informal – “que crescia de forma vertiginosa no pré-coronavírus” – agora estagnou.

Na contramão do governo Jair Bolsonaro, o Maranhão lançou, na semana passada, um Plano Emergencial de Empregos, que prevê investimentos de R$ 558 milhões em obras e compras públicas. De acordo com Adilson, é preciso seguir o exemplo do governador Flávio Dino (PCdoB-MA) e apostar na valorização da vida, do emprego e da renda.

“Precisamos, urgentemente, construir um pacto em defesa da vida e do Brasil. As insuficiências da pandemia explicitaram o quanto o Brasil precisa desenvolver forças produtivas e retomar com celeridade a rota do desenvolvimento sustentável e solidário”, afirma Adilson. “Este é o caminho a ser percorrido pelo conjunto da sociedade, em aliança com prefeitos e governadores e o Congresso Nacional.”

CTB