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Poder de compra do rendimento médio real retrocede quase uma década

Embora a população ocupada no país tenha aumentado no terceiro trimestre enquanto as taxas de desemprego e de subutilização melhoraram, os dados da PNAD Contínua, divulgados na última semana pelo IBGE, mostram o rendimento médio real dos brasileiros assim como a massa salarial corroídos pela inflação.

“Tivemos boas notícias nas primeiras linhas, mas a abertura dos dados não sustentam o bom humor. A boa notícia é que a taxa de desemprego caiu mais uma vez saindo de 14,20% no trimestre anterior para 12,60% agora. Além disso tivemos aumento na população ocupada (4%) e queda na taxa de subutilização composta (-2%). No entanto ao observarmos os rendimentos e a massa salarial o mal estar se revela mais uma vez”, diz o economista-chefe da Necton, André Perfeito, no comentário “Entre o Real e o Nominal”.

O Rendimento Médio Real Habitual caiu 4% em relação ao trimestre anterior. “Para se ter uma ideia o poder de compra do rendimento médio real está no mesmo patamar de 2012, ou seja, retrocedeu o poder de compra ao que se consumia há quase uma década atrás”, afirma o economista no texto, acrescentando que o que chama mais atenção é o comportamento da massa salarial.

Segundo explica Perfeito em sua análise, a massa salarial pode ser entendida em “quanto dinheiro tem na mesa”, ou seja, o quanto de dinheiro tem em circulação para fazer a máquina econômica rodar. “Quando abrimos os dados reais (ajustados pela inflação) e os dados nominais (os valores correntes) fica evidente o tamanho da desaceleração”, afirma.

Enquanto a massa nominal subiu 8,83% em relação ao trimestre encerrado em igual período do ano passado a massa real teve queda de 0,75%. “A massa real praticamente não saiu do lugar desde o início da pandemia e apesar do desemprego ter caído a combinação de salários estagnados com inflação alta cria as bases para um crescimento tímido ao longo de 2021 e 2022 (vale notar que em 2021 o PIB deve avançar 4,8%, mas sobre uma base frágil)”, prevê.

Os dados demonstram que a economia ainda está com o freio de mão puxado e, portanto, precisa ser contido o atual ritmo da escalada dos juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom). “Vemos os dados como ruins e como costumo dizer ‘a boa notícia é que está ruim’. Uma vez que a atividade está fraca a alta da Selic (taxa básica de juros da economia) será menor que o projetado pelo mercado. Mantemos nossa projeção de 9,25% para a taxa básica este ano e de 11,5% o ano que vem”, conclui o economista.