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Prioridade dos metalúrgicos será recuperação das perdas, direitos e defesa da Convenção Coletiva

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Em assembleia realizada na manhã deste sábado, 28 de abril, no auditório da sede central do Sindicato dos Metalúrgicos, trabalhadores e trabalhadoras presentes aprovaram, por unanimidade, a pauta de reivindicações da campanha salarial 2018. O índice a ser reivindicado será definido assim que for divulgado o INPC do período (Data-base é 1º de junho). Como as perdas inflacionárias que atingem os trabalhadores da região é maior que a média nacional, o índice reivindicado será composto com essas perdas de forma a recuperar a renda do metalúrgico de Caxias.

 

 

INOVAÇÃO NA PAUTA

 

Outra decisão importante da assembleia foi a de elaborar uma pauta dos metalúrgicos e metalúrgicas ainda mais ampla, direcionada aos Prefeitos da região, e aos governos Estadual e Federal. A ideia, sugerida pelo ex-presidente do Sindicato e suplente de deputado, Assis Melo, é cobrar políticas de desenvolvimento, geração de empregos e direitos fundamentais como às creches, atendimento de saúde – defesa do SUS, moradia e segurança. São questões que interessam diretamente às famílias dos trabalhadores e das trabalhadoras.

 

 

 

PERDAS MAIORES EXIGEM RECUPERAÇÃO NOS SALÁRIOS

 

Segundo o presidente do Sindicato, Claudecir Monsani, é preciso observar o quanto aumentou o gás de cozinha, a gasolina, a energia elétrica. “A inflação real é aquela que os trabalhadores, pais e mães de família, encontram no supermercado. Nosso salário compra cada vez menos, enquanto as empresas aumentam suas receitas e lucros à custo do nosso suor”, alertou Monsani.

 

 

 

“CATEGORIA FORTE JOGA JUNTO”

 

O presidente chamou a atenção para a necessidade de unir cada vez mais a categoria, para defender seus direitos e fortalecer seu sindicato. “Quando time joga unido, um por todos e todos por um, a gente consegue avançar e defender nossos direitos”, disse.

 

Essa será uma campanha difícil, e dependerá da participação de cada um e de cada uma. A valorização da categoria metalúrgica faz bem para Caxias, na medida em que os metalúrgicos e as metalúrgicas tiverem sua renda valorizada e seus direitos respeitados, Caxias e região ganham.

 

 

 

DEFENDER A CONVENÇÃO COLETIVA

 

A assembleia colocou como prioridade na campanha salarial a defesa das conquistas dos metalúrgicos que estão na Convenção Coletiva. São direitos adquiridos com a luta da categoria ao longo dos anos, como o adicional de horas-extras, transporte, auxílio-creche. São direitos assegurados na Convenção, porém não reconhecidos pela Reforma Trabalhista.

 

 

 

PELOS DIREITOS CONTRA A REFORMA TRABALHISTA

 

Monsani denunciou que a mentira da Reforma Trabalhista do governo está desmascarada. Nesta semana foi anunciado desemprego de 13,7 milhões. “Diziam que esta reforma viria para salvar o emprego. Agora está ai a verdade, o desemprego e a precarização só aumenta.”

 

O representante da FITMetal Brasil, Marcelo Toledo, alertou para  a necessidade de se compreender a necessidade de lutar contra os retrocessos que estão ocorrendo no Brasil desde o golpe. “Tenho andado pelo Brasil todo e o que nós observamos é o aumento da miséria, a piora das condições de vida do povo e dos trabalhadores. É hora de reagir diante disso”.

 

 

 

DESINDUSTRIALIZAÇÃO AMEAÇA FUTURO 

 

Na mesma linha, o presidente da CTB RS, Guiomar Vidor, denunciou a política de desmonte do salário mínimo regional imposta pelo governo Sartori. Vidor também alertou a respeito das reformas que retiram direitos em todo o mundo. Em mais de cem países, governos e empresários tentam impor a destruição dos direitos trabalhistas. “Essa é a vontade do capital financeiro que destrói as forças produtivas e a produção, gerando desemprego e miséria”, disse.

 

A desindustrialização ocorrida no país também foi debatida. Desde que iniciou o atual modelo de governo no país, com Temer, a indústria vem diminuindo sua participação no PIB. Segundo o IBGE, em 2018 a indústria nacional retrocedeu a patamares de 1950.

 

Monsani denunciou que esse projeto é contra o emprego. “Por que liquidaram com a indústria naval no país? Por que mandaram esse investimento e os empregos para as Filipinas?”.

 

Outro assunto de grande gravidade, que precisa ser refletido pelos trabalhadores, é o fato de estar ocorrendo amplo processo de desnacionalização da economia. Com a entrega da Embraer, Eletrobrás, e outros setores estratégicos, ficará bem mais difícil para o Brasil reagir. “Nós, os trabalhadores, defendemos um outro rumo para o nosso país,  um novo projeto nacional de desenvolvimento, que recoloque a democracia, a valorização do trabalho e os direitos do povo como essenciais para o crescimento da nação”, concluiu Monsani.

 

 

 

Veja algumas das principais reivindicações aprovadas:

 

 

– REAJUSTE SALARIAL*: com o custo de vida elevado encontrado pelos trabalhadores de nossa região, entendemos que o reajuste salarial deve ser superior ao INPC. Sendo assim, o índice reivindicado será definido quando for divulgado o índice nacional (Data-base de 1º de junho), porém será acrescido das perdas reais verificadas pelo custo de vida da região da serra.

 

– PISO DA CATEGORIA: aumento do piso para R$ 1.500 com o objetivo de elevar a massa salarial da categoria e evitar a rotatividade.

 

– GRATUIDADE NO TRANSPORTE: já conquistamos um transporte mais barato na Convenção Coletiva. Agora podemos dar mais um passo que é transporte gratuito.

 

– REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO PARA 40H SEMANAIS: seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde, além de ter como instrumento real para a defesa e a geração de milhões de empregos no Brasil.

 

– PROIBIÇÃO TOTAL DE MULHERES GESTANTES EM LOCAIS INSALUBRES: garantia da manutenção dos adicionais referentes a insalubridade as gestantes, que, obrigatoriamente, após a comunicação à empresa da gestação, devem ter sua função alterada a lugar sem produtos insalubres.

 

– SALÁRIOS IGUAIS PARA FUNÇÕES IGUAIS: garantia de equiparidade salarial entre homens e mulheres que exerçam a mesma função. O Observatório do Trabalho da Universidade de Caxias do Sul, em recente pesquisa, verificou a disparidade de aproximadamente 30% em nossa região.

 

– HORAS-EXTRAS: implementação de adicional de horas-extras de 100% iniciando na primeira hora e de 130% a contar da vigésima segunda hora.

 

– AUXÍLIO-CRECHE: deverá ser concedido aos dependentes dos trabalhadores, não havendo diferenciação entre o pai e a mãe.

 

– CRECHE NA EMPRESA: disponibilização de vagas para filhos de trabalhadores e trabalhadoras em creches nas dependências ou proximidades da empresa, devendo ser utilizado o mesmo transporte de seu responsável.

 

– MANUTENÇÃO DO ACORDO COLETIVO: o Acordo Coletivo vigente continua a vigorar até a assinatura do novo, com todas as suas cláusulas.

 

– OBRIGATORIEDADE DO PAGAMENTO DO DIA 31: todos os trabalhadores da base de abrangência do Sindicato dos Metalúrgicos devem ter seu contrato de trabalho assinado como horistas, sendo obrigatório o pagamento do dia 31 no caso de ocorrência no mês.

 

– RECONHECIMENTO DOS DIREITOS SINDICAIS: garantia do reconhecimento dos Diretores do Sindicato nas empresas, possibilitando sua atuação.

 

– AUXÍLIO ESCOLAR DO TRABALHADOR: pagamento de 50% alusivo a mensalidades e materiais utilizados em cursos de qualificação realizados por trabalhadores.

 

– AUXÍLIO ESCOLAR PARA DEPENDENTES: pagamento de 50% referente a materiais utilizados em cursos de ensino normal, médio e técnico realizados por dependentes dos trabalhadores.

 

– ABONO DAS HORAS: conforme Cláusula Quadragésima Sétima, solicita-se a retirada da Guarda Judicial do pai para abono das horas, igualando-o a mãe.

 

– LICENÇA PATERNIDADE DE 20 DIAS

 

– GARANTIA NO EMPREGO PARA TRABALHADOR ACIDENTADO OU ACOMETIDO DE DOENÇA GRAVE, quando este retornar ao trabalho.

 

– TRIÊNIO: o trabalhador que completar três anos na mesma empresa, contínuo ou não, tem direito a receber R$ 75,00 adicionais no salário.

 

– PRÉ-APOSENTADORIA 32 MESES: hoje, o trabalhador tem direito a solicitar pré-aposentadoria com sete anos na mesma empresa e tem direito a 12 meses de pré-aposentadoria. A reivindicação passa a ser que o trabalhador tenha garantia de emprego, independente do tempo de empresa, com 36 meses de pré-aposentadoria.

 

 

A pauta de reivindicações dos metalúrgicos e das metalúrgicas têm cerca de 80 itens.

 

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