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Saúde do Trabalhador é tema de debate em Caxias do Sul

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Evento é alusivo ao Dia Internacional às Vítimas de Acidentes e Doenças do Trabalho

 

O XI Seminário de Saúde do Trabalhador de Caxias e Região lotou o Plenário da Câmara Municipal de Caxias do Sul. Cerca de 300 participantes, entre eles estudantes, trabalhadores de diversos setores, técnicos de segurança do trabalho, juízes e procuradores, acompanharam o evento promovido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul, a Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Câmara, CEREST Serra e SINDISAÚDE, com o apoio do SINDVEST.

Em sua fala de saudação, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Assis Melo, ressaltou a importância do Seminário e deixou um questionamento aos participantes. “Discutir a saúde dos trabalhadores é discutir o ambiente de trabalho. É importante o debate e a mobilização em torno desse assunto. É preciso pensar: em que ambiente estamos trabalhando?”

 

Limbo previdenciário. Análise crítica sobre responsabilidade jurídica e social

O Juiz do Trabalho da 6ª Vara do Trabalho de Caxias do Sul, Dr. Marcelo Porto, fez referência às condições de retorno ao trabalho das vítimas de acidente de trabalho e defendeu condições apropriadas de trabalho. “Precisamos defender as condições de trabalho. Temos que nos sentir seguros, ir para o trabalho com a felicidade da certeza de que vamos voltar pra casa bem para revermos nossos entes queridos”, enfatizou o juiz.

 

Por que os trabalhadores não estão motivados para ir ao trabalho?

Ergonomia e as situações fáticas das ações do CEREST/SERRA foi o tema da palestra em conjunto da fisioterapeuta Ida Marisa Straus Dri e do técnico de Segurança Ben Hur Monson Chamorra. A dupla abordou as condições inadequadas de ergonomia que traz como consequência não só os danos físicos, mas também mentais.

Ben Hur indagou sobre a desmotivação das pessoas para o trabalho e analisou o fato. “Nós observamos que quase 100% das empresas criam entraves para que o trabalhador tenha acesso a uma avaliação médica. As empresas não estão preocupadas com o adoecimento das pessoas. Elas se preocupam com as faltas dos trabalhadores. As ações das empresas são voltadas para o controle das faltas e não das doenças”, respondeu.

 

Assédio Moral

A última palestra do Seminário contou com a presença da Dra. Ângela Kirschner, advogada trabalhista, professora universitária e pesquisadora, que inseriu o tema Desordens psicológicas em tempos modernos que prejudicam a saúde do trabalhador: a figura do assédio moral.

“O assédio moral é um fenômeno que não deveria mais existir. Precisamos enfrentar esse assunto diariamente. Não temos legislação que trate do assunto, nenhuma! Nem na CLT. Na medida que não temos legislação e caracterização do assédio moral, fica mais difícil enfrentar essa violência que existe desde a escravidão, mas que começou a ser debatida em 2002, criando jurisprudência em diversos tribunais. Assédio moral é um fenômeno perverso e invisível”, salientou a pesquisadora.

Ângela terminou sua explanação com uma mensagem otimista. “No momento em que nos encontramos aqui, todos nós, juízes, procuradores, entidades, estudantes, trabalhadores, algo de bom vai surgir em relação a saúde do trabalhador”, concluiu.