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SINDICATO DOS METALÚRGICOS DEFENDE PARALISAÇÃO TOTAL DAS ATIVIDADES POR CAUSA DA PANDEMIA

 

Diante da gravidade e dos riscos para os trabalhadores e suas famílias com a pandemia do novo coronavírus, o Sindicato dos Metalúrgicos de Caxias do Sul firmou um acordo nesta quarta-feira, dia 18, com o Simecs, que representa o setor patronal, cujo objetivo é implementar medidas que evitem a proliferação da doença em Caxias do Sul e, ao mesmo tempo, protejam a saúde, os empregos e a renda da categoria metalúrgica. O Sindicato dos trabalhadores também defendeu a paralisação total das empresas e pediu apoio aos empresários para medidas de proteção aos desempregados.

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O ACORDO FOI POSITIVO

Em uma reunião que durou cerca de oito horas e que teve a participação da Secretaria Regional do Trabalho e Emprego, órgão vinculado ao Ministério da Economia, chegou-se a um conjunto de medidas que foram consolidadas em uma Convenção Coletiva Extraordinária.

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“Nossa preocupação é a saúde, a renda e o emprego dos trabalhadoras e trabalhadores metalúrgicos. Esses foram os princípios básicos para debatermos as questões para construção de um documento com medidas a serem adotadas. Entendemos a preocupação das empresas, que precisam de medidas para não quebrarem, principalmente as pequenas. Por isso, estudamos formas para que as empresas possam parar e compensar as horas posteriormente, sem prejuízo para o trabalhador”, declarou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Assis Melo.

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O acordo foi considerado positivo pelo Sindicato, porque atendeu a prioridade inicial defendida pela entidade e está melhor para o trabalhador se comparado com o que o governo federal está propondo às empresas e trabalhadores. “Creio que, unindo esforços, e com a presença da Secretaria Regional do Trabalho, conseguimos chegar num acordo positivo e importante para este momento, mas temos que avançar mais, nossa prioridade é a vida”, disse Assis.

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É HORA DE PARAR PELA SAÚDE DE TODOS

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Melo destacou ainda que o Sindicato dos Trabalhadores não conseguiu aprovar na reunião com o Simecs a necessidade de parar as empresas de forma emergencial e imediata, segundo os protocolos da Organização Mundial da Saúde, mas vai seguir insistindo nessa tese. Uma das grandes empresas de Caxias, o grupo Randon, segue negando essa possibilidade; já a outra grande, a Marcopolo, avançou e determinou férias coletivas para seus funcionários. Outras empresas também deram férias coletivas, num gesto importante para a preservação da vida, que é o mais importante agora.

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CONHEÇA O ACORDO

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As seguintes medidas foram adotadas:

1- Afastamento imediato dos trabalhadores do grupo de risco, gestantes e pais.
2- Viagens nacionais e internacionais devem ser canceladas.
3- Quem chegar de viagem deve ficar em total isolamento.

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Para quem é possível realizar teletrabalho, esse sistema deve ser feito imediatamente. Para os trabalhadores operacionais, as seguintes medidas podem ser adotadas: férias coletivas, férias individuais (período mínimo de 10 dias) e compensação extraordinária de horas sem prejuízo ao salário do trabalhador e  flexibilização de 10 dias mensais, onde o trabalhador recebe todos os dias trabalhados e mais 50% dos não trabalhados.

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A compensação extraordinária de horas será de pagamento hora por hora. Se o trabalhador dever 220 horas (máxima possível), deverá pagar as 220 horas. Será possível pagar em três sábados mensais, com folga garantida no sábado seguinte ao pagamento, e até duas horas diárias, conforme a Lei. O período para pagamento é de 18 meses.

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PRECISAMOS DE UMA GRANDE CORRENTE DE SOLIDARIEDADE

A Convenção Coletiva Extraordinária é válida por 180 dias.
Com essa Convenção Extraordinária, as empresas têm respaldo para fazer a paralisação e os trabalhadores segurança da remuneração. “É um momento atípico. Vamos nos ajudar, precisamos de uma grande corrente de solidariedade para passar por essas dificuldades com o menor impacto possível”, analisou Assis Melo.

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Além disso, as entidades buscarão fundos de apoio às empresas, aos trabalhadores e a sociedade, por meio dos órgãos públicos.

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Também ficou acordado que se irá buscar, conjuntamente, apoio aos trabalhadores e trabalhadoras desempregados, que não podem ficar desassistidos nesse momento de tamanha gravidade.