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Sindicato dos Metalúrgicos reúne trabalhadores do Grupo Randon na manhã desta segunda-feira (08)

Habituados ao outono gelado de Caxias do Sul, a direção do Sindicato não se intimidou em iniciar a semana de luta ainda antes do sol nascer. O encontro com os trabalhadores e trabalhadoras ocorreu em frente às empresas Randon, na manhã desta segunda-feira, 08 de junho. Três foram os assuntos tratados nesta mobilização: testagem para Covid-19, suspensão por seis meses do Cooperando e a denúncia de coação no Programa de Demissão Voluntária do Grupo.

Pandemia: testes para trabalhadores é questão de segurança

“Queremos testes já”, “Pare e ouça: não podemos deixar a ganância deles nos matar”, “Se até jogador de futebol tem teste por que o trabalhador não pode ter?” eram os dizeres das faixas seguradas pelos trabalhadores e pelas trabalhadoras nos principais portões de acesso às fábricas das empresas.

O presidente do Sindicato, Assis Melo, questionou a segurança da classe trabalhadora. “A primeira razão que queremos tratar é sobre a pandemia. Claro que não é uma questão exclusiva da Randon. Ela é mundial. Como que nós podemos admitir que no futebol profissional, que os atletas para poder voltar ao trabalho, tem que ser testados. Testes para todos os jogadores. Por que os trabalhadores e trabalhadoras não podem ser testados? Por que não? Por qual razão nós temos que nos submeter ao risco, sem ter o máximo de segurança possível?”, indagou o presidente.

Sindicato denunciou pressão aos trabalhadores no Programa de Demissão Voluntária

O segundo destaque de Assis foi sobre a importância da luta pela saúde, o emprego e a renda, estabelecida ainda no início da pandemia no Brasil, através de muita luta e por meio da Convenção Coletiva Extraordinária. O presidente também explicou sobre a Medida Provisória e denunciou o que chamou de fraude no Programa de Demissão Voluntária do Grupo Randon.

“Desde março, estamos fazendo de tudo para garantir primeiro a vida dos trabalhadores e das trabalhadoras, em segundo lugar o emprego e em terceiro a renda. Para isso, foi feita uma Convenção Coletiva Extraordinária. De lá para cá, veio a Medida Provisória que, na sua origem, não tinha garantia de emprego. Então, fizemos outra Convenção, baseada na MP. Agora, a Medida Provisória que suspende contrato e reduz o salário não foi o Sindicato que fez. É uma Medida do Governo. Nós o que fizemos? Diminuímos o prejuízo. Há na Convenção a garantia de emprego pelo tempo que a empresa utilizar a Medida Provisória ou a suspensão de contrato de trabalho. Sabe o que essa empresa fez? Ligaram pra mim e disseram, nós vamos fazer um pedido de demissão voluntária. Sabe como é o voluntário, que ficamos sabendo no Sindicato? O voluntário é o seguinte: chega o chefe do setor no trabalhador e diz ‘se tu quiser isso aqui, vai ser uma boa pra ti, porque daqui a dois meses tu vai ser demitido.’ Esse é o voluntariado do Grupo Randon”, revelou.

Suspender prestações do Cooperando é questão de emergência

As prestações do Cooperando – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados da Randon S/A – seguem sendo descontadas mesmo dos trabalhadores e trabalhadoras que estão com o contrato de trabalho suspenso ou com redução de salário. Para quem fez o pedido de “demissão voluntária”, o mesmo valor do “salário benefício” que foi dado no programa também foi o valor descontado pelo Cooperando. “Deu com uma mão, tirou com a outra”, avaliou Assis.

O pedido feito pelo Sindicato é para que seja feito uma suspensão de seis meses dessas prestações. “É uma questão de emergência. Afinal, não é cooperando? Cooperando com quem?”, replicou o presidente da entidade metalúrgica.