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Sindicato patronal foge das negociações do dissídio

O dissídio da categoria metalúrgica de Caxias do Sul e região é ponto fundamental para a luta por direitos. Ao longo dos anos, com o acúmulo de ações e conquistas, o Sindicato dos Metalúrgicos adquiriu prestígio de entidade firme e coerente na representação dos interesses da classe metalúrgica e comprometida com o desenvolvimento regional, geração de empregos e de renda. Na contramão disso, o Simecs vem fugindo da responsabilidade em discutir as pautas que têm caráter estratégico para o reaquecimento da economia e valorização do trabalho. 

Desde o início do ano, a entidade sindical de trabalhadores vem organizando as pautas do dissídio deste ano. A partir de um amplo debate e profundo estudo sobre os efeitos da pandemia e o contexto enfrentado pelos trabalhadores e trabalhadoras, foram aprovados os tópicos da Campanha Salarial em assembleia geral. Junto a isso, diretores sindicais estão em um intenso trabalho de movimentação, presentes cotidianamente nas fábricas debatendo diretamente com a categoria. 

Após a entrega oficial das pautas aprovadas em assembleia geral pela categoria metalúrgica, o sindicato de trabalhadores e o patronal estabeleceram uma agenda de reuniões para negociação dos pontos da Convenção Coletiva de Trabalho. A primeira reunião foi marcada para o dia 11 de maio, mas foi cancelada por supostamente representantes do Simecs terem tido contato com suspeitos de infecção de Covid-19. Em nova data agendada, desta vez para o dia 18 de maio, o patronal novamente demonstrou receio em sentar frente a frente e discutir os tópicos do dissídio. Os representantes do empresariado alegaram uma viagem de negócios que estariam envolvidos para protelar as discussões. 

Além da fuga da negociação direta com a direção do Sindicato dos Metalúrgicos, representantes do patronal ainda enviaram uma proposta que ataca direitos. Na prática, negligenciam o importante papel que a valorização do trabalho e a recuperação do poder de compra dos metalúrgicos e metalúrgicas têm para reaquecer a economia local. Com os salários defasados, há menor giro na economia e falta de estímulo para geração de empregos em diversos setores. As atitudes vacilantes dos patrões demonstram a falta de interesse com o desenvolvimento econômico e social, na perspectiva da garantia de emprego, renda e direitos, se preocupando somente com o balanço positivo de suas empresas e não consideram que isso só alimenta o espiral recessivo que gera mais crise e o desemprego.

Enquanto os patrões fogem da discussão, os trabalhadores enfrentam um grande arrocho salarial, em um cenário de hiperinflação e aumento constante no custo de  vida. Os preços de produtos essenciais da cesta básica aumentam dia após dia e consomem os salários, além dos aumentos no gás de cozinha, gasolina e aluguéis. A campanha “para economia andar. Vacina e aumento já!” pauta 10% de aumento nos salários da categoria, considerando a inflação da data-base mais o índice de aumento real. Junto a isso, está o triênio, considerando a alta da rotatividade na região; auxílio-creche para filhos de trabalhadores e trabalhadoras, considerando o direito à criança; diminuição do valor pago pelo vale-transporte; adicional de insalubridade em grau médio para funções relacionadas à fábrica; entre outros pontos. O Sindicato segue suas ações na luta pela conquista de uma Convenção Coletiva condizente com o cenário enfrentado pelos trabalhadores e trabalhadoras e na busca da consolidação dos direitos.