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‘Sou o capitão motosserra’, diz Bolsonaro sobre desmatamento quatro vezes maior na Amazônia

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Segundo Instituto de Pesquisas Espaciais, devastação cresceu 278% em julho. Apesar de Bolsonaro negar a ciência e quebrar o termômetro, a Amazônia arde

 

“Eu sou o capitão motosserra (…) Se divulga isso, é péssimo para a gente”, disse hoje (6) o presidente Jair Bolsonaro (PSL), sobre o aumento agressivo no desmatamento da Amazônia. Levantamento referente ao mês de junho verificou aumento de 88% na devastação, em comparação com igual período do ano anterior. Agora, em julho, esse número subiu para 278%. Bolsonaro falou sobre o tema em discurso durante evento do setor de concessionárias de veículos, em São Paulo.

Os levantamentos são do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os números levaram à demissão do diretor do órgão, Ricardo Galvão, na última sexta-feira (2). Galvão se negou a camuflar estatísticas de acordo com a vontade do presidente. Para seu lugar, foi nomeado o militar da Aeronáutica Darcton Policarpo Damião. Bolsonaro desdenhou dos dados, disse se tratar de “sensacionalismo”. Segundo a visão ambiental do presidente, quebra-se o termômetro em vez de enfrentar as causas da febre.

Os dados do Inpe para julho revelam 2.254,9 quilômetros quadrados de devastação na floresta amazônica, em comparação com 596,6 quilômetros quadrados em igual mês de 2018. A medição foi realizada pela Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), que sinaliza áreas de devastação para órgãos de fiscalização ambiental.

A estratégia bolsonarista para resolver o problema foi negar a ciência, demitir profissionais e ridicularizar qualquer questionamento sobre o tema. Essa estratégia se repete no comportamento de Bolsonaro em outros temas. O presidente e seu grupo de apoio usam a mentira como estratégia (desde a campanha eleitoral). Nega o aquecimento global, nega a ditadura, apoia torturadores e afirma que não existe fome no Brasil.

Reações

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva afirmou que Bolsonaro tenta “esconder o grave problema do desmatamento ilegal e da corrupção por meio da grilarem de terras públicas”, apesar dos fatos. “Sua estratégia diversionista é típica dos maus governantes e um reforço da sua incapacidade crônica”, disse.

Outro ex-ministro, Carlos Minc, lamentou: “Estamos voltando à Idade Média. Só valem os dados do rei”, completou, em entrevista para o Brasil de Fato.

Por sua vez, o humorista José Simão debochou da nomeação de um militar para o Inpe: “Ministro Astronauta Vendedor de Travesseiro nomeou militar para calcular o desmatamento! O desmatamento vai usar camuflado!”

 

RBA